Entrevista: Botion quer tornar o Consórcio PCJ ainda mais forte na gestão dos recursos hídricos

O Consórcio PCJ tem um novo presidente desde o dia primeiro de abril, quando o prefeito de Limeira (SP), Mário Botion, assumiu a entidade para um mandato de dois anos. Formado como engenheiro civil e de Segurança do Trabalho pela Escola de Engenharia de Piracicaba, Botion já tem um histórico com as instituições de recursos hídricos. “Nos anos 1990 iniciei através da Aeal (Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Limeira), inclusive no consórcio. E nos últimos quatro anos, como prefeito, tenho participado ativamente do Consórcio PCJ, inclusive ocupando a primeira vice-presidência do Programa de Política de Recursos Hídricos”, lembra.

Na entrevista desse mês ao Água Viva, o novo presidente do Consórcio PCJ relatou suas experiências profissionais e na administração pública, além de apontar ações importantes que as Bacias PCJ devem tomar para a garantia hídrica das futuras gerações. Botion ainda abordou sobre as experiências de Limeira na área de recursos hídricos e meio ambiente, com potencial de serem replicadas em outras cidades da região e destacou a importância de municípios e empresas em participarem do Consórcio PCJ.

 

Água Viva: O seu histórico de relação com o meio ambiente vem de longa data e sua gestão em Limeira, como prefeito, é elogiada pela postura e políticas de sustentabilidade. A presidência do Consórcio PCJ chega no momento ideal de sua carreira profissional e política?

Presidente Mário Botion: Exercer a presidência do Consórcio PCJ é um desafio muito grande, bem como de muita responsabilidade. Fiz uma primeira gestão, quatro anos de mandato no município de Limeira, onde aprendi bastante das questões públicas e principalmente àquelas ligadas à sustentabilidade. Entendo que neste segundo mandato tenho mais experiência, mais conhecimento o que me levou a pleitear a presidência do Consórcio e contribuir com a minha experiência profissional e, principalmente, com a minha experiência dentro da gestão pública que tenho certeza de que avançaremos ainda mais. O desafio é fortalecer o Consórcio PCJ cada vez mais. Sempre focados naquilo que é o principal: a preservação dos nossos recursos hídricos.

AV: Suas experiências comunitárias e públicas com diversas organizações de classes, como AINDA (Associação Integrada de Deficientes e Amigos), DEA (Departamento de Assistência Social), Associação de Engenheiros, Sindicato da Construção Civil, ONG Preservação, entre outras, pode contribuir de que forma para o Consórcio PCJ?

Mário Botion: A participação em instituições, associações, sindicatos, como as que eu participei, tem ambientes plurais. Onde se busca sempre a discussão e a convergência de ideias, prevalecendo sempre o entendimento da maioria. E o Consórcio não é diferente. É um ambiente bastante plural e nós buscamos convergência naquilo são os objetivos principais, que no caso do Consórcio PCJ é o cuidado na preservação da nossa água para o nosso desenvolvimento sustentável.

“Investir em políticas públicas sempre será assertivo em qualquer momento
e segmento da administração pública.”

AV: A gestão de recursos hídricos em Limeira possui iniciativas consideradas modelo nas Bacias PCJ, como por exemplo os projetos de Bacias de Retenção, na região rural, e Piscinões Ecológicos, na área urbana. Qual é sua avaliação sobre a importância de investimentos em políticas públicas e obras para o setor de recursos hídricos em Limeira e na nossa região?

Mário Botion: Na administração pública precisamos sempre ficar atentos com nossas práticas e ações para que elas possam se transformar em políticas públicas, pois passam a ter caráter permanente. As intervenções citadas, que realizamos em Limeira, se mostraram oportunas e eficientes fazendo jus aos investimentos realizados e que podem se transformar em algo de caráter permanente. Estas intervenções também podem ser aplicadas em outros municípios, da mesma forma que nós estamos sempre atentos a tudo que está acontecendo em outros locais com resultados positivos no avanço do processo de sustentabilidade. Investir em políticas públicas sempre será assertivo em qualquer momento e segmento da administração pública.

AV: Em sua primeira reunião de trabalho com a equipe técnica do Consórcio PCJ, o senhor priorizou projetos em três grandes áreas: saneamento, manutenção da disponibilidade hídrica, e o turismo ecológico, por meio do projeto do Geoparque Corumbataí, como forma de integração e desenvolvimento regional. Esses três temas podem contribuir para a sustentabilidade hídrica das Bacias PCJ?

Mário Botion: São três frentes importantes que já vêm sendo trabalhadas. O que desejamos é acelerar mais os processos. A disponibilidade hídrica e a questão do saneamento, inclusive com a questão do marco regulatório, são assuntos importantes que o Consórcio já vem trabalhando e o Geoparque é uma ação mais recente, mas não menos importante. Ele permitirá que a população possa usufruir de maneira consciente, organizada e planejada a natureza maravilhosa que Deus nos ofertou graciosamente. Usar e acima de tudo preservar nosso meio ambiente, é o maior desafio do nosso tempo.

“O Projeto de Lei 251 deveria ter tido por parte do governo do Estado
uma atenção em ouvir os principais atores desse processo, que são os municípios”

AV: Na Reunião Plenária do Consórcio PCJ, no mês de abril, os associados manifestaram preocupação com o Projeto de Lei 251, que dispõe sobre a criação de unidades regionais de saneamento básico. Na sua visão, como essa nova legislação pode impactar nos municípios das Bacias PCJ e como o Consórcio PCJ deverá se posicionar?

Mário Botion: O Projeto de Lei 251, que cria as unidades regionais de saneamento básico, deveria ter tido por parte do governo do Estado uma atenção em ouvir os principais atores desse processo, que são os municípios. Esse projeto que foi apresentado, criando quatro grandes regiões, não contempla o interesse das cidades. Na nossa plenária de abril já fizemos observações nesse sentido e buscamos levar essa preocupação a todas as instituições que tratam da questão da água e do saneamento básico no Estado de São Paulo. Dessa forma, estamos tentando trazer a discussão para os municípios e que eles tenham participação efetiva.

AV: Quais experiências em saneamento e gestão de recursos hídricos, implantados em Limeira, que possuem potencial para serem replicadas em outras cidades ou regiões hidrográficas?

Mário Botion: Possuímos algumas iniciativas interessantes com potencial sim de replicação. Como já lembrado anteriormente, a construção de mais de 1,3 mil bacias de contenção, ou cacimbas, que foram feitas na zona rural e os piscinões ecológicos, que já existem em alguns loteamentos do nosso município que também têm essa característica de acumular a água da chuva e aos poucos fazer a retenção e a recarga do lençol freático, são atividades promissoras para as demais cidades. Outra iniciativa foi a aprovação de lei que criou a possibilidade de regularizar os condomínios de chácaras de recreio. Aqui no município, nós temos um número bastante significativo desses empreendimentos que se implantaram de maneira desordenada, sem nenhum regramento, na zona rural. Essa legislação cria normas para a construção e utilização dos recursos hídricos do local, principalmente sob dois aspectos: do esgoto sanitário e a manutenção da vegetação. São ações como essas que implantamos e são importantes para a sustentabilidade.

“Gostaria de lançar um desafio de que cada prefeito associado consiga
cinco novos associados, isso fortalecerá muito a atuação do Consórcio.”

AV: O Consórcio PCJ é referência na sua capacidade de compartilhar decisões entre o setor público e privado, já que em seu quadro de associados possui municípios e empresas. Como é possível atrair mais a atenção do setor privado para importância do Consórcio para gestão de recursos hídricos e manutenção da disponibilidade hídrica?

Mário Botion: A participação do setor privado é fundamental nas ações de preservação da disponibilidade hídrica, pois a água está diretamente relacionada às atividades produtivas. A atração de novas empresas deve ser feita através da atuação dos prefeitos em suas cidades, pois conhecem bem a realidade dos setores produtivos locais. Em Limeira, já estamos trabalhando na divulgação da importância da atuação e do trabalho do Consórcio PCJ, a fim de que novas empresas se associem. Gostaria de lançar um desafio de que cada prefeito associado consiga no mínimo cinco novos associados. Isso fortaleceria muito a atuação do Consórcio.

AV: Por fim, que Consórcio PCJ o senhor espera entregar ao final do seu mandato à frente da entidade?

Mário Botion: Estar presidente do Consórcio PCJ é um desafio e uma responsabilidade muito grande. Vou me empenhar e colocar todos os meus esforços, os meus conhecimentos e experiências para que o Consórcio continue se fortalecendo cada vez mais. O desafio talvez seja no final da nossa gestão ter um Consórcio com uma participação mais efetiva dos municípios, através dos seus prefeitos e vice-prefeitos (as), e o aumento de empresas associadas. Isso criará uma entidade ainda mais forte e com maior representatividade, buscando aquilo que é o nosso objetivo principal: a preservação dos nossos recursos hídricos.

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