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Nota de Pesar acerca da tragédia de Brumadinho (MG)

28 janeiro 2019



O Consórcio Intermunicipal das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (Consórcio PCJ), sediado em Americana (SP), manifesta seu profundo pesar pela tragédia ocorrida na cidade de Brumadinho (MG), com o rompimento da Barragem de rejeitos de mineração da Mina do Feijão, que causou impactos severos inicialmente com a perda de vidas e desestruturação de toda uma comunidade, com reflexos no emocional do país e da comunidade internacional, bem como, no ponto de vista ambiental e hídrico envolvendo a  Bacia do Rio Paraopeba, importante manancial para a região e um dos principais afluentes do Rio São Francisco.

Com uma fauna aquática bastante rica, composta por peixes das espécies corvina, curimbatá, surubim e dourado, o Consórcio PCJ lamenta profundamente que este importante curso d’água tenha sido atingido pela onda de lama de rejeitos de mineração, comprometendo a vida aquática e a qualidade desse importante manancial para 48 cidades, sendo 35 com sede na bacia hidrográfica. A Bacia do Rio Paraopeba atende uma população de 1,3 milhão de habitantes, o que demonstra além da sua relevância ambiental a sua importância social, já que os impactos dessa tragédia podem impactar a atividade econômica e a subsistência de muitas famílias.

O Consórcio PCJ acredita ser importante promover o desenvolvimento, desde que respeitando o meio ambiente, preservando vidas, fauna, flora e os recursos hídricos. A entidade manifesta seu apoio ao Comitê do Paraopeba e à população de Brumadinho, desejando que os responsáveis pela tragédia sejam punidos e ações de revitalização da bacia hidrográfica sejam iniciadas o mais breve possível.

É importante esclarecer também as diferenças de construção das barragens de rejeitos de mineração das barragens de armazenamento de água para abastecimento e geração de energia elétrica.

As barragens de mineração possuem três processos de construção: montante, jusante, e eixo central. Pelo método montante o maciço da barragem faz uso da camada de rejeito seco. Esse método é o menos seguro e responsável por 76% dos acidentes com rompimentos de barragens de mineração, já que o maciço em cima de rejeitos pode conter traços de líquidos, tornando a estrutura mais frágil. No processo jusante o alteamento da barragem é feito sobre o maciço do solo, mais estável e mais seguro. O processo de eixo central é uma mescla dos dois métodos.

No processo montante o problema está na drenagem do maciço de rejeito, se não houver uma drenagem bem-feita a possibilidade de um acidente é maior.

Já nos reservatórios de água a fundação das barragens é construída sobre um maciço rochoso e seu alteamento é feito por meio de argila compactada, levantado de uma só vez, o que torna o barramento muito mais seguro. Exemplo de segurança das barragens paulistas, foi o evento climático extremo em 2009, quando o Sistema Cantareira (complexo de 5 reservatórios) superou a marca de 100% de armazenamento, sem nenhum comprometimento da estrutura das barragens. Esse modelo de construção é considerado um dos mais modernos do mundo, haja vista, que o Brasil é um dos maiores construtores de barragens de água do planeta.

O Consórcio PCJ atenta que as barragens de água são de extrema importância para a sustentabilidade hídrica e devem seguir o mais rigoroso processo de construção que atenda à segurança das comunidades vizinhas e ao meio ambiente, com respeito a fauna e flora local, mitigando todos os possíveis impactos que esse empreendimento possa gerar.

A tragédia de Brumadinho deve servir de exemplo para que novos acidentes não ocorram, mas é importante atentar às distinções de construção entre esse modelo de barramento com a construção de reservatórios de água.

Mais uma vez, o Consórcio PCJ se solidariza com o Comitê do Rio Paraopeba e com toda a população de Brumadinho severamente impactada com o rompimento da barragem de rejeitos. Esperamos que o processo de revitalização seja iniciado o quanto antes, tanto por parte das autoridades competentes, assim como pelos responsáveis pela tragédia.


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