Mais uma cidade brasileira testará sistema de dessalinização

Consórcio PCJ fomenta estudos sobre essa alternativa desde 2014, com a crise hídrica no Sudeste brasileiro.
O balneário de Praia de Leste, em Pontal do Paraná, no litoral paranaense, testará projeto piloto de tratamento de água do mar por seis meses a partir de agosto. A cidade se soma a outras do Brasil que estão buscando soluções de abastecimento pela dessalinização. O sistema está em estudo desde 2013 pela Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) em sua base de pesquisa, em Curitiba (PR), e conta com apoio de pesquisadores da University of North Texas, University College London e da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG).

O piloto foi transportado da capital paranaense para a Estação de Tratamento de Água de Praia de Leste no último dia 19 de julho e tem capacidade para produzir mil litros de água tratada por hora, além de utilizar energia de fontes eólica e solar, de acordo com a Sanepar.

Os equipamentos utilizam tecnologias de osmose reversa e ultravioleta. Para facilitar seu transporte e acomodação nas plantas da Sanepar, eles foram montados em um container e em um skid, que é uma base móvel. Além fazer os testes de dessalinização da água do mar, vão ser usados para pesquisas de tratamento em água com carga orgânica alta e podem servir na remoção de sais dissolvidos, na remoção de metais em água de poços, na redução de flúor e na produção de água industrial, que reutiliza a água de efluentes. Em Praia de Leste, o material ficará por seis meses em testes, que iniciarão em agosto.

Parte do projeto é bancada pela Secretaria de Estado Americano, depois de ter concorrido com mais de outras 300 iniciativas ligadas à implantação e ao monitoramento de sistemas sustentáveis de dessalinização em escala piloto.

O diretor de Meio Ambiente da Sanepar, Glauco Requião, explica que a intenção da Sanepar é desenvolver as melhores soluções possíveis para o sistema de tratamento de água. “Isso faz parte da preocupação constante da Sanepar de garantir as melhores condições para a prestação de seus serviços. Esse sistema piloto dá suporte para técnicas avançadas de tratamento da água e para o polimento secundário de efluentes, que poderá ser aplicado no futuro. Os testes podem nos dar respostas importantes para avaliarmos e medirmos muitas variáveis”, afirma.

Os pesquisadores da Sanepar, Ronald Gervasoni, Mariana Espíndola de Souza e Ana Claudia Brueckheimer, responsáveis pelo projeto, explicam que no Litoral será utilizada energia de fontes eólica e solar. “Um dos maiores gastos operacionais de um sistema com membranas está na energia elétrica. Queremos verificar se com o uso dessas outras fontes o sistema se torna mais sustentável e econômico”, diz Gervasoni.

A dessalinização e o Consórcio PCJ

O Consórcio PCJ foi uma das primeiras entidades brasileiras a cogitar a viabilidade de dessalinização para resolver os problemas de acesso à água e de disponibilidade hídrica. Ao final de 2014, no ápice da crise hídrica em São Paulo e na Região Sudeste, a entidade realizou estudo de viabilidade e custos para dessalinizar a água no litoral paulista e enviá-la para o Sistema Cantareira, que na época operava com a reserva técnica, mais conhecida como volume morto, ou seja, a água que fica abaixo das tubulações de captação.

A partir de então, a entidade estreitou relacionamento com o Consulado de Israel – país referência em dessalinização e gestão de escassez hídrica – para promover alternativas à crise, o que culminou, em março de 2015, com a realização de rodada de negócios entre as empresas israelenses e municípios e empresas das Bacias PCJ.

Em outubro do mesmo ano, o Consórcio PCJ participou de visita técnica a Israel, onde conheceu de perto Soreq, a maior usina de dessalinização do país, com capacidade para tratar 150 milhões de metros cúbicos de água salina por ano, o equivalente a 7 m³/s. Na ocasião, representantes do Consórcio PCJ realizaram reunião com o gerente de desenvolvimento de negócios de Sorek, Fredie Lokie, com o objetivo de desenvolver um projeto vitrine dessa tecnologia no Brasil. Este projeto está em busca de locais com potencial de implantação.
 

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