Consórcio PCJ inicia discussões sobre eventos extremos com criação de Grupo Regional

02/04/11

Representantes de municípios e empresas consorciados, serviços de água e esgoto, defesa civil e de ONGs, participaram do 1º Encontro Regional do Grupo de Eventos Extremos, realizado na manhã da terça-feira, 26, na sede do Consórcio PCJ, em Americana (SP).

Durante o 1º Encontro se buscou estabelecer métodos, ações e possíveis soluções para os problemas enfrentados no sistema de gerenciamento dos recursos hídricos e os eventos extremos ocorridos nos últimos três anos nas bacias PCJ e também discutiu a necessidade de novas regras para o banco de águas do Sistema Cantareira, com propostas de soluções conjuntas e compartilhadas.

O banco de águas foi implantado quando da concessão da outorga do Cantareira, em 2004, que previu que a água não utilizada em períodos chuvosos seria guardada, numa espécie de “poupança”, e em situações de escassez hídrica seriam liberadas vazões maiores para as bacias PCJ. Atualmente, 5 m3/s para a região e 31 m3/s para a Grande São Paulo.

Porém, por essa regra, no momento que o sistema atingir 100% de sua capacidade e com a necessidade de liberar água dos reservatórios por segurança dos mesmos, o banco de água deixa de existir, ou seja, a água reservada é liberada pelas comportas. Nos últimos três anos, as bacias PCJ têm vivido uma nova realidade, com chuvas torrenciais nos períodos chuvosos – chove-se num dia o esperado para o mês –, e na época de estiagem sofre com escassez acentuada.

Esses acontecimentos, que podem ser considerados de eventos extremos, têm feito com que o Sistema Cantareira opere muito próximo da sua capacidade total de armazenamento, o que gerou diversos problemas com enchentes nas cidades a jusante das represas, nos últimos períodos chuvosos.

O Coordenador de Projetos do Consórcio PCJ, Francisco Lahóz, durante apresentação de um breve histórico das bacias PCJ, disse ser necessário criar um volume maior de espera para a época chuvosa no sistema. “As bacias PCJ sempre sofreram com a escassez de água e as enchentes dos últimos anos devem ser consideradas eventos extremos. Uma das causas para esses acontecimentos é o volume de espera do Sistema Cantareira, que fica sempre em torno de 90% e, quando chove, acaba alagando as cidades que ficam abaixo do reservatório. Nós vamos levantar a bandeira para que esse volume seja diminuído, talvez, para 60 ou 50%%”, disse.

Grupo quer buscar soluções em conjunto

O encontro, que contou com a participação de mais de 70 pessoas, foi aberto pelo secretário executivo do Consócio PCJ, Dalto Favero Brochi, que ressaltou a importância da interação dos setores na resolução dos problemas enfrentados pela região.

Logo em seguida, o gerente técnico, Alexandre Vilella, e o coordenador técnico da entidade, Francisco Lahóz, que também será o coordenador do Grupo de Eventos Extremos, assumiram a coordenação dos trabalhos e também reforçaram a idéia de participação. “A intenção aqui é discutirmos e construirmos, juntos, as possíveis soluções. Vocês [empresas, prefeituras e ONGs] vão no apresentar as dificuldades e nós [Consórcio PCJ] seremos os interlocutores na negociação com os órgãos responsáveis na resolução dos problemas”, explicou Vilella.

Durante o evento, os representantes das prefeituras, ONGs e empresas apresentaram diversos desafios para serem enfrentados e solucionados. Foram selecionados quatro temas centrais nas futuras discussões: uso e ocupação do solo, proteção aos mananciais, eventos extremos e o próprio Sistema Cantareira.

“Esse grupo terá a força de elaborar documentos oficiais que serão encaminhados aos órgãos competentes do governo para cobrar ações que beneficiem a região das bacias PCJ. O Sistema Cantareira deve ter um modelo de gestão compartilhada. Todos os envolvidos devem ser ouvidos e a decisão sobre o nível de armazenamento, por exemplo, deve ser tomada em conjunto. Cidades e empresas estão sendo alagadas e elas precisam ser ouvidas”, defendeu Lahóz.

Para o representante da Sanasa na reunião, Paulo Tinel, o grupo já nasce forte, tendo em vista o poder de articulação que o Consórcio PCJ possui. “A água é essencial para o setor público e privado, por isso temos que trabalhar em conjunto. Esse grupo deve construir idéias e sugestões para ajudar na reestruturação do Sistema Cantareira, por exemplo, que é um tema que tem afetado muita gente. O Consórcio PCJ com seu poder articulador será de extrema importância nessa empreitada”, disse.

Em sua apresentação, o engenheiro e consultor técnico da Gerência de Meio Ambiente da Petrobrás/Replan, Jorge Mercanti, demonstrou as experiências da empresa com os planos de contingência para os eventos emergenciais e defendeu a existência desses planos para ocasiões semelhantes nas bacias PCJ. Sobre o Cantareira, Mercanti defendeu que “precisamos encontrar o equilíbrio das coisas. Precisamos nos unir e buscarmos, juntos, o equilíbrio dessa gestão, afinal esse é um tema que afeta empresas, municípios e toda a comunidade”.

O Consórcio PCJ sempre promoveu a interação e o envolvimento de municípios, empresas e toda a sociedade nos assuntos pertinentes aos recursos hídricos e o meio ambiente sendo reconhecido em toda a região das bacias PCJ como o interlocutor dos recursos hídricos. O grupo ainda não definiu a data do próximo encontro, que deve ocorrer no final de maio.

 
 

Assessoria de Comunicação – Consórcio PCJ  

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