Comissão do Senado aprovou estímulos para dessalinização da água no Brasil

A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado aprovou, no dia 23 de março, projeto que busca estimular ações para a dessalinização da água do mar e das águas salobras subterrâneas no Brasil. Para tanto, a proposta (PLS 259/2015), do senador Eunício Oliveira, do estado do Ceará, inclui a previsão de incentivos com essa finalidade entre as diretrizes e objetivos da Política Nacional de Saneamento Básico, a lei 11.445/2007.
O projeto passa a mencionar o tema no texto da referida Lei 11.445/2007, além de determinar que a União priorize o atendimento ao consumo humano no semiárido e em outras localidades com escassez de água na hora de decidir sobre a alocação de recursos para incentivar a adoção de tecnologias de dessalinização da água.

Ao justificar seu projeto, Eunício Oliveira traz dados da Organização das Nações Unidas (ONU), segundo os quais 97,5% da água existente no mundo é salgada e está nos oceanos. O senador acrescenta que, no semiárido nordestino, a água subterrânea disponível para muitas comunidades é salobra, inadequada para o consumo humano. Essa realidade, somada ao fato de que o desenvolvimento tecnológico tem barateado o custo da dessalinização, levou Eunício a apresentar a proposta, que visa aumentar a oferta de água potável no Brasil e, especialmente, no Nordeste, região mais carente do recurso.

O Consórcio PCJ foi uma das primeiras entidades brasileiras a cogitar a viabilidade de dessalinização para resolver os problemas de acesso à água e de disponibilidade hídrica. Ao final de 2014, no ápice da crise hídrica em São Paulo e na Região Sudeste, a entidade realizou estudo de viabilidade e custos para dessalinizar a água no litoral paulista e enviá-la para o Sistema Cantareira, que na época operava com a reserva técnica, mais conhecida como volume morto, ou seja, a água que fica abaixo das tubulações de captação.

Na ocasião, ainda reinava entre os gestores nacionais o mito de que os custos de tratamento da água dessalinizada é muito elevado, o que acabou sendo desmistificado com as parcerias entre o Consórcio PCJ e autoridades israelenses que apresentaram que o custo atual do tratamento não passa de US$ 0,50 de dólar, valor esse competitivo em relação ao tratamento de água convencional realizado no Brasil, tendo em conta o câmbio atual e as variações nos gastos com o tratamento em época de estiagens, quando a vazão dos rios cai drasticamente, comprometendo a qualidade da água.

O relator na Comissão de Assuntos Sociais (CAS), Senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), lembra o crescimento da população mundial, as mudanças climáticas, a distribuição desigual de água no território brasileiro e a recente crise hídrica no país. Diante disso, ele avaliou que o projeto do senador Eunício deve ser aprovado, pois apresenta alternativas para o abastecimento da população.

 

De acordo com a Agência Senado, a matéria seguirá agora para análise na Comissão de Ciência e Tecnologia (CCT).

Compartilhe essa matéria via:

Facebook
Twitter
LinkedIn

Newsletter

Assine a Newsletter do Consórcio PCJ e seja o primeiro a saber sobre projetos, ações de conservação e eventos importantes que acontecerão no ano. Além de notícias em primeira mão sobre todo o universo da água.

WhatsApp

Siga o canal do Consórcio PCJ no WhatsApp e acompanhe as notícias em primeira mão.

Outras matérias

29 de maio de 2026

Projeto realizado na Serra do Japi, desde 2022, contribui para recarga hídrica estimada em 5,5 bilhões de litros por ano As equipes do Consórcio PCJ,…

28 de maio de 2026

Evento sobre resiliência hídrica foi promovido pelos Comitês PCJ e a ARES-PCJ em parceria com a Agência das Bacias PCJ, em ambiente virtual Nas Bacias…

27 de maio de 2026

Encontro no Museu da Água da cidade na última terça-feira (26) abordou sobre a gestão da água através do tempo, tema do Projeto este ano…

Pular para o conteúdo