Case da ocorrência climática extrema em Santa Bárbara d’Oeste foi exposto em sessão sobre controle de cheias e estiagem
O presidente do Consórcio PCJ e prefeito de Santa Bárbara d’Oeste (SP), Rafael Piovezan, participou na quinta-feira, 18 de junho, da Cúpula Mundial das Bacias Hidrográficas, realizada pela Rede Internacional de Organismos de Bacias (RIOB), no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro. O evento reuniu especialistas, gestores públicos e representantes de organismos de bacias hidrográficas de diversos países para debater soluções voltadas à gestão sustentável dos recursos hídricos diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas.
Piovezan integrou a sessão “Adaptação às Mudanças Climáticas na Gestão de Bacias Hidrográficas – Controlando Cheias e Estiagem”, ocasião em que apresentou a experiência de Santa Bárbara d’Oeste no enfrentamento aos impactos de eventos climáticos extremos e de construção de resiliência hídrica.
Durante sua exposição, o presidente do Consórcio PCJ destacou os efeitos das chuvas intensas registradas no município em fevereiro de 2025, quando os índices pluviométricos superaram todos os registros históricos. Em apenas uma semana, foram contabilizados cerca de 400 milímetros de chuva, volume muito superior à média histórica do período, de 168 milímetros.
O evento provocou diversos pontos de alagamento, exigiu o atendimento de mais de 200 famílias e causou danos à infraestrutura de abastecimento de água da cidade, uma vez que as enchentes atingiram instalações elétricas responsáveis pelo funcionamento dos sistemas de captação. Diante da gravidade da situação, a Prefeitura decretou situação de emergência e mobilizou equipes para minimizar os impactos à população.
Segundo Piovezan, o principal desafio dos gestores públicos está em preparar os municípios para enfrentar ocorrências cada vez mais frequentes e intensas associadas às mudanças climáticas.
“Cada vez mais é urgente o planejamento e a adaptação aos impactos que os eventos hidrológicos extremos causam às cidades, à produção agrícola e industrial e, sobretudo, à segurança das pessoas”, destacou.
Como exemplo de medida estruturante voltada à adaptação climática, o prefeito apresentou a Represa Parque das Águas, inaugurada no final de 2025, no Ribeirão dos Toledos. O empreendimento ampliou em 25% a reserva hídrica de Santa Bárbara d’Oeste e passou a integrar um sistema de barragens com capacidade total de armazenamento de 12 bilhões de litros de água, volume suficiente para garantir a segurança hídrica do município pelas próximas décadas.
Além de reforçar o abastecimento público, a estrutura desempenha papel estratégico na redução dos riscos de enchentes, ao contribuir para o amortecimento dos picos de vazão durante períodos de chuvas intensas. O Ribeirão dos Toledos corta a área urbana da cidade e historicamente está associado à ocorrência de alagamentos em regiões centrais.
Piovezan ressaltou que as ações implementadas em Santa Bárbara d’Oeste estão alinhadas às diretrizes defendidas pelo Consórcio PCJ desde sua fundação, especialmente no incentivo à ampliação da capacidade de reservação de água nas Bacias PCJ, região reconhecida pelo histórico de estresse hídrico.
“O armazenamento do maior volume possível de água é uma estratégia fundamental para garantir segurança hídrica em períodos de escassez e, ao mesmo tempo, reduzir os impactos provocados por eventos extremos, como enchentes e alagamentos”, afirmou.
Ao encerrar sua participação, o presidente do Consórcio PCJ reforçou a necessidade de cooperação entre governos, instituições e organismos de bacias para enfrentar os desafios climáticos globais.
“As mudanças climáticas não respeitam fronteiras; exigem respostas conjuntas, urgentes e sustentáveis. Se quisermos garantir não apenas a produtividade, mas a dignidade e a saúde das futuras gerações, precisamos colocar a água e o clima no centro das políticas públicas”, concluiu.
A Fundação Agência das Bacias PCJ e a parceria com a França
A mesma sessão contou com a participação do Diretor Presidente da Agência das Bacias PCJ, Sérgio Razera, ocasião em que destacou o aumento da frequência de eventos hidrológicos extremos no Brasil, como secas e inundações, e ressaltou a necessidade de ampliar investimentos em monitoramento hidrológico, infraestrutura hídrica, saneamento básico e soluções baseadas na natureza. Segundo ele, as Bacias PCJ vêm avançando na implementação de ações previstas no Plano das Bacias, com destaque para estudos de macrodrenagem, ampliação das redes de monitoramento e fortalecimento das políticas de proteção de mananciais.
Razera também enfatizou a importância da cooperação internacional para o aprimoramento da gestão das águas, agradecendo a histórica parceria das Bacias PCJ com a França, especialmente com a Agência de Águas Loire-Bretagne e o Escritório Internacional da Água. O dirigente destacou os resultados do Projeto Interagências, desenvolvido em conjunto com a AGEVAP (Associação Pró-Gestão das Águas da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul) e instituições francesas, que tem promovido intercâmbio técnico, fortalecimento institucional e compartilhamento de boas práticas em recursos hídricos. “As trocas de experiências e o acesso a novas tecnologias têm sido fundamentais para ampliar nossa capacidade de enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas e avançar na construção de soluções cada vez mais eficientes para a segurança hídrica”, ressaltou.
A Comitiva da Família PCJ na Cúpula Mundial das Bacias Hidrográficas contou com a participação de representantes das entidades: Consórcio PCJ, Fundação Agência das Bacias PCJ, Comitês PCJ e ARES-PCJ.