Na Faixa de Atenção, a SABESP pode captar até 31 metros cúbicos por segundo do Sistema Cantareira. Em condições de normalidade, essa captação pode chegar a 33m³/s.
A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e a Agência de Águas do Estado de São Paulo (SP Águas) informam que o Sistema Cantareira, principal manancial de abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo, passará a operar na Faixa 2 – Atenção a partir de 1º de abril, conforme o que estabelece a Resolução Conjunta nº 925, de 29 de maio de 2017.
No período úmido, que vai até maio de 2026, a liberação de vazões para as bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (Bacias PCJ) são realizadas pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (SABESP) a partir de comunicados da SP Águas, com maior flexibilidade para atendimento aos limites de vazões nos postos de controle definidos pela Resolução Conjunta nº 925/2017. Os comunicados da SP Águas são simultaneamente encaminhados aos Comitês PCJ, conforme § 2º do Art. 5º dessa resolução conjunta.
Nesta terça-feira, 31 de março, o Sistema Cantareira registrou 43,62% de seu volume útil, apresentando um acréscimo em relação aos 35,42% observados em 27 de fevereiro, último dia útil do mês passado. Como o volume está acima do limite de 40% no último dia útil de março, a operação do Sistema em abril de 2026 será na Faixa 2 – Atenção. Com isso, a SABESP está autorizada a retirar do Cantareira até 31 metros cúbicos por segundo (m³/s) previstos na Resolução Conjunta nº 925/2017 em vez dos até 27m³/s que vinham sendo autorizados até março.
Como medida de mitigação, a SABESP poderá utilizar em março, além dos 31 m³/s autorizados do Sistema Cantareira, a vazão eventualmente transposta no reservatório da Usina Hidrelétrica (UHE) Jaguari, na bacia do rio Paraíba do Sul, respeitado o limite outorgado.
A ANA e a SP Águas reforçam a importância da adoção de medidas operacionais de gestão da demanda no contexto dos serviços de abastecimento de água tanto para a redução do consumo de água e de perdas quanto para o estímulo ao uso racional do recurso pela população. As agências recomendam, ainda, a adoção de medidas de uso racional de água pelos demais usuários para preservar o volume de água armazenado nos reservatórios do Sistema.
Gestão compartilhada
A gestão do Cantareira é realizada de forma conjunta pela ANA e pela SP Águas, que acompanham diariamente os dados de níveis, vazões e armazenamento para subsidiar decisões operativas.
A operação na Faixa de Atenção segue critérios definidos pela Resolução Conjunta nº 925/2017, elaborada após a crise hídrica de 2014/2015. A norma estabelece limites de retirada de água de acordo com o volume acumulado no Sistema Cantareira, conferindo previsibilidade às condições operativas e maior segurança hídrica para a Região Metropolitana de São Paulo – e para as Bacias PCJ.
O Cantareira
O Sistema Cantareira abastece cerca de metade da população da Região Metropolitana de São Paulo e contribui para o atendimento dos usos múltiplos da água, com destaque para o abastecimento de Campinas, nas bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí.
É composto por cinco reservatórios interligados (Jaguari, Jacareí, Cachoeira, Atibainha e Paiva Castro), com volume útil total de 981,56 bilhões de litros. Desde 2018, conta também com a interligação entre a represa da usina hidrelétrica (UHE) Jaguari (no rio Paraíba do Sul) e a represa Atibainha, ampliando a segurança hídrica para a Região Metropolitana de São Paulo.
Embora seus reservatórios estejam localizados integralmente em território paulista, parte das águas que os alimentam provém de rios de domínio da União, por terem nascentes e trechos no Estado de Minas Gerais, compondo a bacia dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí. Nesse contexto, a ANA e a SP Águas avaliam que as regras de operação vigentes são adequadas para a gestão dos recursos hídricos do Sistema e fazem o acompanhamento diário dos dados de níveis da água, vazão e volume armazenado, visando a subsidiar a tomada de decisões.
Mais informações e dados atualizados do Sistema estão disponíveis na Sala de Situação da ANA (https://www.gov.br/ana/pt-br/sala-de-situacao/sistema-cantareira), na Sala de Situação PCJ (https://sspcj.org.br/) e no Sistema de Acompanhamento de Reservatórios (https://www.ana.gov.br/sar/outros-sistemas-hidricos/cantareira).