Documento traz principais acontecimentos do evento, realizado no Rio de Janeiro entre 16 a 19 de junho
A RIOB (Rede Internacional de Organismos de Bacia) disponibilizou nesta semana o Relatório da Cúpula Mundial de Bacias 2026, que reúne os destaques do evento, realizado de 16 a 19 de junho, no Rio de Janeiro. O documento aborda sobre a nova presidência da RIOB, os resultados das sessões temáticas e dos debates de alto nível, além das oficinas realizadas e perspectivas finais. O relatório está disponível na Biblioteca Digital do Consórcio PCJ.
Brasil assume a presidência da RIOB
A Presidência Mundial da RIOB foi assumida pelo Brasil pela terceira vez. A passagem foi realizada pela Embaixadora Delegada para o Meio Ambiente do Ministério da Europa e das Relações Exteriores, Barbara Pompili, para a comitiva brasileira. Desta vez a presidência será exercida de modo colegiada por três instituições: o Ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional do Brasil, Waldez Goes, com a presidência executiva sob o comando da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), por meio da diretora, Larissa Rêgo. Completa a composição da gestão brasileira na RIOB, como embaixadora, a subsecretária de Recursos Hídricos e Sustentabilidade Ambiental do Estado do Rio de Janeiro, Ana Asti.
Confira mais detalhes sobre a passagem no site do Consórcio PCJ: Brasil assume a presidência da RIOB até 2028
Sessões de Alto Nível
Foram realizadas duas sessões de alto nível durante a cúpula. A primeira, intitulada “A gestão dos recursos hídricos em nível de bacias hidrográficas para a segurança do abastecimento de água no Brasil”, chegou ao consenso de que a gestão descentralizada e participativa, tomando a bacia hidrográfica como unidade fundamental, é um meio eficaz de fortalecer a segurança hídrica, a resiliência climática e o desenvolvimento sustentável no Brasil.
A segunda “A água a serviço da cooperação”, destacou a cooperação como uma prioridade política para acelerar o aprendizado e superar impasses. A sessão foi encerrada com um apelo para fortalecer essa cooperação em prol da água e adotar modelos participativos e inclusivos que garantam um papel de liderança às mulheres, aos jovens, povos indígenas e às comunidades vulneráveis.
Sessões Temáticas
Ao todo foram cinco sessões temáticas realizadas durante o evento, que contaram com as seguintes resoluções:
– Sessão 1 “Dos dados à ação: modernizando o monitoramento dos recursos hídricos para uma gestão resiliente das bacias hidrográficas”: É essencial institucionalizar os mecanismos de compartilhamento de dados e harmonizar os protocolos de monitoramento para fortalecer a cooperação e estabelecer confiança entre instituições e países. A tecnologia deve complementar as soluções clássicas, e não substituir. E a viabilidade a longo prazo dos sistemas modernos depende de investimentos contínuos, fortalecimentos institucionais e desenvolvimento das capacidades técnicas e humanas.
– Sessão 2 “Diálogo entre cidades e bacias hidrográficas para a segurança hídrica: conciliar o desenvolvimento urbano, costeiro e rural”: Para suprir a falta de coordenação entre a governança das cidades e das bacias hidrográficas, os marcos de governança devem ser institucionalizados a fim de coordenar os atores entre os territórios e manter a cooperação além dos ciclos políticos.
– Sessão 3 “Águas saudáveis, bacias resilientes: trazendo consistência às políticas de água e biodiversidade”: As discussões destacaram a necessidade de fortalecer a dimensão “integrada” das políticas relacionadas à água e biodiversidade, a fim de enfrentar as mudanças climáticas, a degradação dos ecossistemas e a segurança do abastecimento de água. Os participantes colocaram o conhecimento científico, o planejamento integrado, a cooperação entre os stakeholders e a troca de experiências como fatores-chave.
– Sessão 4 “Adaptação às mudanças climáticas em nível de bacia hidrográfica: controle de enchentes e secas: Entre as soluções apresentadas estão as baseadas na natureza e os projetos de restauração ecológica, além do fortalecimento da cooperação, monitoramento contínuo, reavaliação periódica dos cenários e a capacidade de ajustar as estratégias ao longo do tempo.
– Sessão 5 “Economia circular da água para a resiliência das bacias hidrográficas: diversificar a mistura de água com recursos não convencionais”: Os participantes apresentaram diferentes métodos de implementação e formas de utilizar os recursos hídricos não convencionais, como irrigação com águas residuais tratadas, recuperação de lítio a partir da salmoura gerada pelos processos de dessalinização, e a operação de estações de tratamento por meio de biogás.
O presidente do Consórcio PCJ e prefeito de Santa Bárbara d’Oeste (SP), Rafael Piovezan, participou da sessão 4, ocasião em que apresentou a experiência do município no enfrentamento aos impactos de eventos climáticos extremos e de construção de resiliência hídrica.
Confira os detalhes da apresentação aqui: Consórcio PCJ destaca a necessidade de se adaptar às mudanças climáticas durante a Cúpula Mundial das Bacias Hidrográficas
Oficinas e perspectivas
O relatório ainda conta sobre as oficinas realizadas na cúpula, com o objetivo de fortalecer a troca de experiência entre os organismos de bacia, com temas como “Transformação digital para Bacias Hidrográficas”, “Quatro décadas de cooperação entre o Brasil e a França para o gerenciamento de bacias”, entre outras.
Durante as páginas, estão disponíveis QR-Codes para acessar o relatório completo de cada sessão e oficina realizada durante o evento.
Nas perspectivas finais, o documento apresenta a conferência EURO-RIOB 2027, que acontecerá em Bruxelas, capital da Bélgica, de 25 a 28 de maio de 2027, além do anúncio da Namíbia como pais sede da edição de 2028 da Cúpula Mundial de Bacias da RIOB.
Ao todo, mais de 400 pessoas de 48 países participaram da Cúpula Mundial de Bacias 2026, cujo objetivo é reunir os stakeholders da gestão de recursos hídricos de todo o mundo para partilhar experiências, ferramentas e melhores práticas implementadas a nível das bacias hidrográficas.
SOBRE A RIOB
A Rede Internacional de Organismos de Bacias (RIOB) é uma associação sem fins lucrativos regida pela legislação francesa, criada em 1994 e sediada em Paris.
A entidade reúne 192 membros de 88 países, organizados em redes regionais para incentivar a troca de experiências e conhecimentos considerando as especificidades de cada contexto geográfico. O Escritório Internacional da Água (OiEau – Office International de l’Eau) é responsável por sua Secretaria Técnica Permanente.
O Consórcio PCJ é um dos organismos de bacias fundadores da RIOB e membro do Bureau de Liaison / Comité de Enlace, espécie de diretoria da rede, desde 2013. Juntos, Consórcio PCJ e RIOB atuam de forma ativa no Conselho Mundial da Água e auxiliam na elaboração e promoção dos painéis de discussão do Fórum Mundial da Água.