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Projeto Gota d’Água é realizado pela primeira vez em São Carlos e discute a importância do planejamento da gestão hídrica

07 junho 2019



Evento contou com a participação de José Galizia Tundisi, um dos maiores especialistas em gerenciamento hídrico do Brasil. Último encontro será realizado em Sorocaba, no dia 26 de junho

O Consórcio PCJ promoveu o 9º Encontro Regional do Projeto Gota d’Água 2019 na última quinta-feira, dia 6 de junho, em São Carlos (SP). Com a participação do ecólogo José Galizia Tundisi, um dos maiores especialistas brasileiros em gerenciamento de recursos hídricos, o evento reuniu na Fundação Educacional São Carlos (FESC I) representantes de Meio Ambiente e Educação, professores e gestores de saneamento e abastecimento de água. Organizada pelo Programa de Educação e Sensibilização Ambiental da entidade, a capacitação presencial foi realizada pela primeira vez no município graças à parceria inédita entre o Gota d’Água e a ARES-PCJ, que este ano ampliou a atuação do projeto ao incluir cidades reguladas pela agência.

Até o final deste mês, o Gota d’Água terá completado dez encontros regionais do projeto com o tema “Desafio Água e Saneamento”. O último evento, no dia 26 de junho, será em Sorocaba (SP). Nos intervalos das capacitações presenciais, o Consórcio PCJ utiliza aplicativo de envio de mensagens para smartphones para difundir experiências e também promove encontros a distância, por meio de EAD. Duas videoaulas estão disponíveis no site www.agua.org.br/cursos. A primeira aborda as ações da ARES-PCJ e é ministrada por Daniel Manzi, coordenador de Fiscalização da agência reguladora. A segunda aula on-line, apresentada pela professora Nádia Valério Possignolo Vitti, trata da poluição atmosférica, tema escolhido pela ONU para o Dia Mundial do Meio Ambiente, e mostra de que maneira a qualidade da água é afetada pelos resíduos que vêm do ar.

Como nas capacitações presenciais anteriores, o 9º Encontro Regional do Gota d’Água de São Carlos reuniu educadores e gestores em torno de dois assuntos principais: gestão da água e direito universal ao saneamento básico. Além de conhecerem as experiências do projeto, os participantes tiveram a oportunidade de expor realidades locais, compartilhar ideias e fazer sugestões a respeito desses dois temas.

Com o trabalho conjunto do Consórcio PCJ e da ARES-PCJ, o número de municípios participantes nesta edição do Gota d’Água foi ampliado, passando de 42 para 70 cidades envolvidas na parceria inédita. Carlos Roberto Gravina, diretor técnico da ARES-PCJ, observa que a atuação no projeto contribui para difundir as ações da agência reguladora. Pesquisa recente indica que somente 2% da população atendida pela ARES-PCJ sabe quais são as atribuições da entidade. Entre todas as competências, o executivo explica que, além de praticar a regulação das tarifas, a agência fiscaliza a qualidade da água tratada distribuída às comunidades. “A ARES-PCJ tem importância fundamental no dia a dia das pessoas e é preciso conhecê-la”, ressaltou.

São Carlos, cidade que participa pela primeira vez do Projeto Gota d’Água, tem aproximadamente 250 mil habitantes. O município é abastecido pela captação superficial do Córrego do Monjolinho e do Ribeirão do Feijão. A captação subterrânea, que garante 50% do abastecimento de água no município, provém do Aquífero Guarani.

O Aquífero Guarani é um dos maiores reservatórios subterrâneos de água do mundo e se estende pelos Estados de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, além de Argentina, Paraguai e Uruguai. Da área ocupada de 1,2 milhões de km2, 70% do aquífero estão em território brasileiro.

O 9º Encontro Regional do Gota d’Água teve como palestrante José Galizia Tundisi. Pesquisador da UFSCar e secretário de Meio Ambiente, Ciência, Tecnologia e Inovação do município, o ecólogo está entre os maiores especialistas em gerenciamento de recursos hídricos do Brasil.

Ao apresentar um panorama sobre a disponibilidade hídrica no mundo, Tundisi destacou a necessidade urgente de mudanças nos hábitos da população e de políticas públicas que avancem para a proteção e recuperação do meio ambiente. Como plano para o presente e também para o futuro, o ecólogo ressaltou a importância de gestões voltadas ao desenvolvimento. “Modernizar é importante, mas não suficiente. Desenvolver é ir às raízes do processo de subdesenvolvimento, que são educação, saúde humana e gestão ambiental”, disse. “Se juntarmos esses três processos, teremos um desenvolvimento de alto nível, uma população saudável. Com isso se conseguem melhores índices de qualidade de vida”, afirmou.

O projeto Gota d’Água, na definição de Tundisi, é um marco. “É um projeto técnico, mas com um componente de educação ambiental extremamente importante. Os especialistas que participam da iniciativa, naturalmente vão decodificar as informações e transmiti-las ao público em geral”, observou.

O encontro realizado na Semana do Meio Ambiente, segundo Andréa Borges, gerente técnica do Consórcio PCJ e coordenadora do Programa de Educação e Sensibilização Ambiental responsável pela realização projeto, trouxe debates importantes sobre o planejamento da gestão urbana da água e do saneamento. “Em São Carlos, quando se fala em saneamento básico, sabemos que há investimentos na infraestrutura de redes e no planejamento. Mas a questão vai muito além. Mesmo com toda a estrutura, o desafio é fazer com que haja a cooperação e a participação da população”, ponderou.

Neste sentido, o Gota d’Água tem muito a contribuir quando se lança à proposta de envolver educadores e comunidades. “A experiência em São Carlos se mostrou inteiramente nova no projeto. Foi muito interessante debater com os participantes o uso de vídeos para educar e discutir a possibilidade de nos tornarmos influenciadores, acessando um público mais jovem por meio de plataformas digitais e redes sociais”, disse.

A utilização de aplicativo de envio de mensagens para smartphones nas capacitações presenciais do Gota d’Água é um recurso que, segundo Andréa, pode disseminar informações mesmo entre a população de baixa renda.

Grupos de discussão e videoaulas

Desde a primeira capacitação presencial do Gota d’Água realizada em Amparo, o projeto vem ampliando uma rede de informações e debates com a criação de um grupo de WhatsApp. Cidade após cidade, os membros adicionados ao grupo vêm participando com perguntas, ideias e sugestões. Thiago Pietrobon, biólogo e consultor do Consórcio PCJ, observa a eficiência deste recurso para a troca de informações e ressalta a importância do uso das redes sociais. “Com as redes sociais, podemos levar as discussões a outros ambientes, como por exemplo, a grupos de educadores e à comunidade em geral”, disse.

Andréa Borges destacou a função das aulas on-line como forma de complementar as informações apresentadas nos encontros presenciais. “Quem não pode comparecer às capacitações, têm conteúdos à disposição no site do Consórcio PCJ”, afirmou.

A primeira aula on-line disponível no site destaca as ações de fiscalização e monitoramento realizadas pela ARES-PCJ. A vídeo-aula é ministrada por Daniel Manzi, coordenador de Fiscalização da agência reguladora, e pode ser acessada em www.agua.org.br/cursos.

Apresentada pela professora Nádia Valério Possignolo Vitti, a segunda videoaula aborda a poluição atmosférica, assunto escolhido este ano pela Organização das Nações Unidas para o Dia Mundial do Meio Ambiente. Segundo relatório da própria ONU, aproximadamente 7 milhões de pessoas morrem prematuramente a cada ano, vitimadas pela poluição do ar. “Falamos muito pouco sobre a poluição da água pelo ar. Será o primeiro ano em que vamos trabalhar a poluição atmosférica na contaminação da água”, ressaltou Andréa.

Ainda como recurso para ser utilizado em salas de aula e em reuniões comunitárias, os participantes recebem ao final dos encontros regionais um kit com materiais educativos. O gibi “Turma do Lamba – De olho na água”, o jogo dos 7 erros no uso da água e a publicação “Água: vamos falar sério?” foram elaborados especialmente para que os educadores possam trabalhar em sala de aula com conceitos amplos, como preservação dos rios e uso consciente da água no dia a dia. O material também possui uma versão on-line disponível em “Publicações”, na Biblioteca Digital do site: www.agua.org.br.

Agende-se

Este ano, o Gota d’Água será realizado em uma área bem mais abrangente e vai contemplar quatro bacias hidrográficas (PCJ, Pardo, Tietê Jacaré e Sorocaba Médio Tietê). Isto só é possível com a parceria inédita da ARES-PCJ. Desde a criação, em 2015, o Gota d’Água capacita em média 150 mil pessoas ao ano com educação e sensibilização ambiental voltadas à gestão hídrica e proteção dos rios, além de promover o uso sustentável da água e a conservação do meio ambiente.

Depois de Amparo, Ribeirão Preto, Atibaia, Campinas, Indaiatuba, Limeira, Piracicaba, Pirassununga e São Carlos, o projeto terá o último encontro regional em Sorocaba, no dia 26 de junho.

As capacitações são destinadas a professores e estudantes de escolas públicas, além de técnicos das secretarias de Meio Ambiente e dos serviços de saneamento e representantes das comunidades locais. Por meio de atividades educativas socioambientais, troca de experiências, uso de ferramentas tecnológicas e redes sociais, o projeto busca destacar a importância do planejamento e da ação cidadã para a sustentabilidade hídrica.

Em novembro, será realizado o Seminário de Avaliação sobre a iniciativa. Nessa oportunidade, os municípios participantes terão de apresentar vídeos de até três minutos de duração com as ações desenvolvidas com o tema do projeto de 2019. Caberá a uma banca avaliadora escolher os trabalhos que receberão os prêmios “Destaque do ano” e “Sua gota faz a diferença”.

Sobre o Projeto Gota d’Água

O projeto “Semana da Água”, promovido desde 1994 nas Bacias dos Rios Piracicaba Capivari e Jundiaí (PCJ), foi remodelado pelo Programa de Educação e Sensibilização Ambiental do Consórcio PCJ e, a partir de 2014, passou a fazer parte do “Projeto Gota d’Água: #PreserveCadaGota”. A iniciativa tem como objetivo intensificar as ações de educação ambiental que extrapolem a execução das Semanas da Água nos municípios, o que de fato já ocorria na prática. Em média, 150 mil pessoas são capacitadas pelas ações do projeto por ano nas Bacias PCJ. Em 2019, as capacitações têm como proposta debater o tema água e saneamento, por meio de uma parceria inédita e exclusiva com a ARES-PCJ, a agência de regulação dos serviços de saneamento, o que ampliou os municípios atendidos pelo projeto.

SAIBA MAIS

Consórcio PCJ

O Consórcio Intermunicipal das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (Consórcio PCJ) foi fundado em 13 de outubro de 1989 como uma associação de direito privado sem fins lucrativos. É composto por municípios e empresas compromissados com a recuperação dos mananciais em sua área de abrangência.

A conscientização dos setores da sociedade sobre os problemas que envolvem os recursos hídricos, o planejamento e as ações para manutenção e recuperação de mananciais são a base do trabalho realizado pelo Consórcio PCJ.

Gerida por um Conselho de Consorciados, a entidade desenvolve programas de preservação e recuperação ambiental, com foco na sustentabilidade hídrica.

Para mais informações, acesse: www.agua.org.br

ARES-PCJ

A Agência Reguladora dos Serviços de Saneamento das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (ARES-PCJ), instalada em 2011, tem a função de regular e fiscalizar os serviços públicos de saneamento básico nos municípios. Atualmente, 56 cidades são associadas à ARES-PCJ. De acordo com o Censo IBGE de 2017, a população estimada nestes municípios soma 7.457.498 habitantes.

Para mais informações, acesse: www.arespcj.com.br

Texto e Foto: MXP Comunicação


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