2º Fórum Latino-Americano da Água deve fortalecer integração entre países na gestão dos recursos hídricos

Evento será realizado de 23 a 25 de novembro, em Foz do Iguaçu, e reunirá representantes de diferentes setores para discutir desafios comuns da América Latina

O 2º Fórum Latino-Americano da Água reunirá, entre os dias 23 e 25 de novembro de 2026, em Foz do Iguaçu (PR), representantes de diferentes países e setores para ampliar o diálogo e a cooperação em torno dos principais desafios relacionados à água na América Latina.

Organizado pelo Conselho Latino-Americano da Água, Entre as expectativas do encontro estão o fortalecimento da integração regional e a construção de caminhos conjuntos para questões que ultrapassam fronteiras, como a gestão compartilhada dos recursos hídricos, os impactos das mudanças climáticas e a universalização do saneamento.

Para o presidente da Rede Brasil de Organismos de Bacias (REBOB) e diretor executivo do Conselho Latino-Americano da Água, Lupercio Ziroldo Antonio, o Fórum representa uma oportunidade de articulação da América Latina diante de um cenário global marcado pela intensificação dos eventos climáticos extremos.

“A realização deste Fórum internacional, em sua segunda edição, visa fortalecer o diálogo e a integração de processos decisórios e de governança sobre água e saneamento no âmbito do continente latino-americano, nos contextos político, técnico e institucional, assim como estabelecer redes, interações e agendas de recursos hídricos que contribuam para o desenvolvimento sustentável na América Latina”, destaca.

Apesar das diferenças existentes entre os países latino-americanos em relação à disponibilidade hídrica, ao acesso ao saneamento e aos modelos de governança, alguns desafios são compartilhados por grande parte do continente. Entre eles está a necessidade de maior integração das políticas públicas relacionadas aos recursos hídricos, especialmente quando se trata de rios e bacias compartilhados entre dois ou mais países.

“Nosso maior desafio é a integração das políticas públicas relacionadas aos recursos hídricos, em especial nos rios transfronteiriços, onde a gestão depende de ações conjuntas para o efetivo gerenciamento destas águas”, afirma Ziroldo.

Mudanças climáticas estarão no centro dos debates

As transformações no clima e o aumento da ocorrência de eventos extremos também deverão atravessar as discussões do Fórum. Para Ziroldo, quatro conceitos ocupam hoje posição central nos debates internacionais relacionados à água: mudanças climáticas, segurança hídrica, resiliência e adaptação.

A expectativa é que esses temas estejam presentes de maneira transversal nos diferentes painéis da programação, diante de um cenário em que episódios de escassez hídrica convivem com chuvas intensas, enchentes e alagamentos em diferentes regiões do planeta: “Podemos dizer que os painéis na programação do 2º Fórum Latino-Americano da Água vão transversalizar esses pontos, sempre com foco na sustentabilidade dos recursos hídricos”, explica.

Fórum antecede Conferência da ONU sobre a Água

O encontro em Foz do Iguaçu ocorrerá poucas semanas antes da Conferência da ONU sobre a Água de 2026, programada para os dias 8 a 10 de dezembro, em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos.

Embora sejam espaços distintos, Ziroldo avalia que os diferentes fóruns internacionais dedicados ao tema contribuem de maneira complementar para ampliar o debate global sobre os recursos hídricos.

“No mundo atual, vários são os espaços de discussão e debate sobre recursos hídricos. Cenários de escassez extrema e de alagamentos e enchentes estão provocando, em todo o planeta, a movimentação por maior espaço de diálogo para uma gestão da água”, afirma.

Segundo ele, iniciativas promovidas pelo Conselho Mundial da Água, pelo Conselho Latino-Americano da Água e pelas Nações Unidas possuem características próprias, mas seus resultados podem contribuir conjuntamente para o fortalecimento da agenda da água.

Legado para a gestão da água na América Latina

Mais do que concentrar os debates nos três dias de programação, a expectativa dos organizadores é que o Fórum contribua para fortalecer uma rede permanente de cooperação entre os países latino-americanos.

Um dos desafios apontados é avançar na produção e no compartilhamento de diagnósticos sobre bacias hidrográficas relevantes, criando melhores condições para a implementação de políticas e ações de gestão.

“Em muitas bacias hidrográficas relevantes neste território, ainda carecemos de melhores diagnósticos para a efetivação de ações efetivas de gestão da água. E justamente este foco, o do compartilhamento e integração das políticas, é o que desenha o Conselho Latino-Americano da Água”, destaca Ziroldo.

A expectativa é reunir no Fórum representantes de instituições ligadas aos recursos hídricos dos países latino-americanos, incluindo gestores públicos e privados, técnicos, usuários da água, pesquisadores, legisladores, representantes da sociedade civil e jovens.

Ao aproximar diferentes experiências e realidades, o 2º Fórum Latino-Americano da Água pretende contribuir para que desafios compartilhados pelo continente também sejam enfrentados de forma cada vez mais integrada.

1º Fórum Latino-Americano aconteceu em 2023

O 1º Fórum Latino-Americano da Água aconteceu em novembro de 2023 na cidade de Aracaju (SE), dentro do 25º Simpósio da ABRHidro, e reuniu 17 países do continente para debater formas de integração da gestão de recursos hídricos local como forma de encontrar soluções conjuntas, além de oficializar a criação do Conselho Latino-Americano da Água, com a coleta das assinaturas de membros que viriam a compor a instituição. O Consórcio PCJ é uma das entidades signatárias.

Na ocasião, também, o Consórcio PCJ participou do painel “Água e Cooperação”, representado pelo Secretário Executivo da entidade, Francisco Lahóz. Em sua exposição, Lahóz defendeu que a cooperação perpassa pela necessidade de entendimento das necessidades em comum e o compromisso em cumprir acordos estabelecidos, além de fazer um paralelo com o modelo de gestão do Sistema Cantareira entre as Bacias PCJ e a Grande São Paulo, o qual se assemelha à gestão transfronteiriça e é um caso de sucesso devido ao comprometimento de ambas as regiões.

Acesse o site oficial do Conselho Latino-Americano da Água aqui.

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