Evolução: tecnologia em prol do reflorestamento

O trabalho de reflorestamento não tem início apenas quando se começa a replantar a mata ciliar em torno da água. Antes de chegar a esse ponto, é preciso identificar quais áreas estão degradadas e, a partir desse diagnóstico, fazer o plantio das mudas nativas nos locais. Como em todos os setores, nesses de 30 anos de atividades do Programa de Proteção aos Mananciais (PPM) do Consórcio PCJ, a tecnologia evoluiu bastante, facilitando a identificação dessas áreas e consequente plantio.

O engenheiro agrônomo e consultor ambiental Carlos Schincariol é testemunha ocular dessa evolução. Em 1992, trabalhou junto ao Consórcio PCJ no reflorestamento do projeto pioneiro do PPM, em Capivari, na represa Milhã, localizada dentro da fazenda de mesmo nome, onde as águas do Ribeirão Forquilha são represadas para abastecer o município. “Naquela época não tínhamos as imagens como hoje, que conseguimos acessar pelo Google. Para identificar essas áreas, eu pegava as plantas do Instituto Cartográfico Brasileiro (ICB), levava a Piracicaba para fazer cópia em tamanho grande, e fazia o estudo em cima dessa carta, antes da visita in loco”, lembra.

Para fazer a vistoria, Schincariol tinha de agendar com o proprietário da área, que o acompanhava enquanto ele ia medindo o terreno e tirando fotos, que depois precisavam ser reveladas. “Mas tudo mudou com a internet. Em 1995 o Google fez o primeiro levantamento, depois novamente em 2001, e desde então temos ano a ano as imagens atualizadas por satélites”, explica.

Os satélites são capazes de localizar as áreas degradadas, e com isso já é feita uma pré-vistoria, antes da visita presencial, já direcionada para o local correto. “Podemos perceber pelas imagens a degradação pela ausência de mata ciliar, erosão, plantios sem elevações para escoamento mais lento da água, e derramamento de dejetos na água. Essas situações não permitem que a mata se regenere”, exemplifica.

Garantir o futuro

Schincariol afirma que é mais do que conhecida a importância da mata ciliar, e que sua preservação é uma questão de sobrevivência das espécies. Ele conhece profundamente a importância do reflorestamento de matas ciliares nas nascentes para gerar garantias hídricas. “Desde a época em que trabalhei com o Consórcio aprendi nas palestras que a mata ciliar tem esse nome porque lembra os nossos cílios, que protegem o olho, e ela então protege a água, trabalha como um filtro, impedido um arrastamento do solo para o leito do curso da água. Se a gente quiser garantir quantidade e qualidade da água para as futuras gerações precisamos cuidar das nossas matas”, finaliza.

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