Se perdas hídricas não reduzirem, Brasil terá de encontrar 70% a mais de volume de água para abastecimento até 2040

Informação foi apresentada pelo Instituto Trata Brasil, durante o Encontro Técnico de Controle de Perdas do Consórcio PCJ, realizado no último dia 16/09

O Brasil vai precisar de mais água. Até o ano de 2040 o país vai sofrer pressões sobre a disponibilidade hídrica devido ao crescimento populacional e econômico, além dos impactos devido ao aquecimento global que pode bater 1,5°. É o que expôs o Instituto Trata Brasil na última sexta-feira, dia 16, no Encontro Técnico de Controle de Perdas Hídricas do Consórcio PCJ, que contou com as presenças: do gerente de Relações Institucionais e Comunicação do Instituto, Rubens Filho; do assessor de agronegócios e Água da Embaixada de Israel, Ari Fischer; do especialista comercial do Departamento de Comércio do Consulado dos EUA, Thales Demarchi; e do gerente de engenharia da empresa norte-americana Xylem, Roberto Facury Brasil.

As perdas hídricas no Brasil variam muito, podendo ir de 14% a 85%, tendo como média 41%, o que causa impactos à disponibilidade hídrica e prejuízos econômicos ao país. Se esses índices não forem reduzidos, o Brasil terá de buscar um volume de água 70% superior ao que tem disponível hoje para atender o abastecimento. “Num cenário realista, trazendo as perdas para 25%, o Brasil irá economizar R$ 53 Bilhões (bruto) ou R$ 26 Bilhões (líquido) até 2040. Caso isso não ocorra, será necessário encontrar mais água para o abastecimento”, atentou no encontro o gerente do Instituto Trata Brasil.

Filho ainda atentou que a disponibilidade hídrica vai sofrer pressão por conta do aquecimento global. “A temperatura vai aumentar pelo menos 1°C., mas estamos lutando para barrar em 1,5°C.”.

O exemplo de Israel no trato da água

Israel trouxe para o encontro do Consórcio PCJ algumas das suas inovações tecnológicas sobre saneamento. As perdas hídricas naquele país não ultrapassam os 11%, sendo que em grandes centros urbanos o índice fica abaixo desse valor. Ari Fischer apresentou o funcionamento de smart hidrômetros, pelos quais é possível fazer a medição do consumo pelo celular, com o agente da companhia de saneamento passando de carro pela rua, além de sensores instalados em vasos sanitários que são capazes de medir a diferença de pressão nas tubulações e enviar ao hidrômetro que existe um vazamento na casa.

Segundo Fischer, “é preciso aprender a produzir mais com menos água, já que a fonte é a mesma desde que o planeta existe. Em Israel, a água é do governo, não há o conceito de que a água é minha porque pago por ela, paga-se por cada gota consumida”.

EUA vão investir US$ 97 Bilhões em perdas até 2033

De acordo com Thales Demarchi, nos EUA, as perdas são em média 13%, o que representam um prejuízo anual de US$ 2,6 Bilhões. O país tem fortalecido ações nessa área, já que a infraestrutura antiga demanda obras de atualização, além de pressões devido a exigências regulatórias. A variação da população e o aquecimento global tem feito o governo norte-americano focar ações nesse sentido. A U.S. Environmental Protection Agency (EPA) prevê investimentos de US$ 97 Bilhões exclusivos para o combate às perdas hídricas até 2033.

Demarchi apresentou alguns exemplos de tecnologias nessa área, como softwares de monitoramento, caça de vazamentos, consumo e déficit de água por bacia hidrográfica, além de sistemas para localizar perdas por sensores e equipamentos que usam fumaça para identificar vazamentos.

O caso da empresa Xylem

Uma dessas empresas norte-americanas esteve presente no encontro do Consórcio, por meio da Xylem, apresentada pelo Sr. Roberto Brasil. Ele trouxe dois exemplos de tecnologias: a smart ball e a Sahara.

A smart ball uma esfera com sensores é introduzida na tubulação de água e esgoto de 200mm ou 8 polegadas de diâmetro e tem capacidade de detectar vazamentos de até 0,10 l/min, em trechos longos, com até 26 horas de gravação.

O Sahara é um dispositivo multisensor de movimento controlado por cabo, no qual é possível detectar vazamentos ainda menores, de 0,02 l/min. As inspeções cobrem até 1,6km de extensão, com precisão de localização submétrica, em redes de até 300 mm ou 12 polegadas de diâmetro. Nesse sistema, a localização também pode ser feita por GPS.

Workshop com tecnologias israelenses e norte-americanas para 2023

Durante o Encontro de Perdas, o engenheiro e coordenador de projetos do Consórcio PCJ, José Cezar Saad, formalizou convite aos dois consulados, de Israel e dos EUA, para no próximo ano organizar um workshop sobre novas tecnologias para serviços de saneamento, o que foi aceito pelos representantes dos referidos consulados. “Será uma oportunidade para atualizarmos sobre novas perspectivas para o setor e formas de gerenciarmos de forma mais eficiente cada gota d’água”, atentou Saad.

O presidente do Consórcio PCJ e prefeito de Limeira (SP), Mário Botion, destacou por vídeo no encontro que já temos tecnologias para trazer o índice de perdas hídricas nas Bacias PCJ para padrões internacionais. “As perdas na nossa bacia somam em média 37%, mas é preciso investir mais nesse setor, pois, já temos tecnologias para trazer esses índices abaixo de 10%”, disse.

O secretário executivo do Consórcio PCJ, Francisco Lahóz, lembrou da importância de trocas de experiências na área de saneamento para promover o desenvolvimento do setor. “O Consórcio sempre deixou ativo um grupo de combate às perdas hídricas com o objetivo promover novas tecnologias e alternativas para a área”, atentou.

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