Empresas Associadas ao Consórcio PCJ debatem conceito “Water Positive”

Em reunião-almoço, realizada na última quarta-feira (30), em Americana (SP), empresas foram reconhecidas com o certificado de comprometimento com o uso sustentável da água

O conceito “Water Positive” discorre sobre os impactos positivos da gestão da água e saneamento e foi o tema do Encontro do Grupo das Empresas Associadas ao Consórcio PCJ, que celebrou os 30 anos de participação do setor privado na instituição, com a realização de reunião-almoço na Cantina Breda di Piave, em Americana (SP). Na ocasião, a engenheira civil e mestre em Engenharia Hidráulica e Saneamento, Virgínia Sodré, fez a exposição “A Água é o Novo Carbono: Inteligência Hídrica para um Futuro Water Positive”. A reunião contou ainda com a entrega do certificado “Empresa Comprometida com o Uso Sustentável da Água” e a homenagem de Mérito Ambiental à Jorge Mercanti. Acesse as fotos do evento aqui.

Reunião-Almoço das Empresas 2026 (70)

A abertura oficial do evento foi realizada pelo Diretor-Presidente da DAE Jundiaí e vice-presidente do Programa de Proteção aos Mananciais do Consórcio PCJ, Daniel Bocalão, ao lado do secretário executivo da entidade, Francisco Lahóz, que destacou sobre a importância do envolvimento do setor empresarial na gestão dos recursos hídricos. “O eficiente gerenciamento dos recursos hídricos garante a sustentabilidade hídrica a todos os setores, empresas, abastecimento público, setor rural e sociedade, e esse é o compromisso do Consórcio PCJ, através de fomento, planejamento e sensibilização, que as coisas aconteçam e que tenha água nas captações”.

Já Bocalão atentou para a necessidade de preservar os mananciais. “Não dá mais para desassociar a busca dos recursos ou a devolução dos efluentes sem a gente identificar, controlar, planejar e, principalmente, em alguns casos, recuperar as nossas fontes, nossos mananciais”, disse.

Homenagem Mérito Ambiental

Durante o evento, foi realizada a homenagem a Jorge Antonio Mercanti, com a entrega do certificado de “Mérito Ambiental”, pela sua relevante atuação e dedicação no fortalecimento do diálogo e da cooperação entre as empresas e o Consórcio PCJ. Mercanti é Engenheiro Químico e atua na área de Recursos Hídricos, desde 1978. Trabalhou por 36 anos na Petrobras/Replan e, atualmente, é representante do CIESP (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), regional Campinas, nos Comitês PCJ, como Coordenador da Câmara Técnica do Uso e Conservação da Água na Indústria (CT-Indústria).

Mercanti ressaltou a felicidade em receber o reconhecimento. “Muita emoção. Tem três entidades na minha vida: Petrobras/Replan, onde trabalhei 36 anos na área ambiental, o CIESP que me acolheu quando aposentei, e a Família PCJ com o Consórcio PCJ, que é a origem de tudo e está até hoje articulando os Comitês PCJ, e a Agência PCJ que são os braços dos Comitês. Essas três entidades fazem parte da minha vida e me trazem até aqui, ainda ativo, fazendo um trabalho de colaboração e retribuindo aquilo que recebi”.

Palestra inspiração

Na sequência, Virgínia Sodré apresentou sobre “A Água é o Novo Carbono: Inteligência Hídrica para um Futuro Water Positive”. Durante a explanação, Virgínia apresentou o conceito de Net Positive Water Impact (NPWI), uma abordagem em três dimensões: Quantidade, Qualidade e Acesso. Por meio das três, o objetivo é devolver ao sistema hídrico um volume de água igual ou superior ao consumido, com qualidade melhor do que foi captada, e garantir o acesso à água potável e saneamento nas bacias.

Alguns exemplos de iniciativas trazidas por Virgínia são: reduzir as perdas físicas e comerciais através da detecção ativa de vazamentos e gestão de pressão; práticas de manejo do solo que aumentam a matéria orgânica e a capacidade de retenção de água; geração de novas fontes potáveis via dessalinização e reúso de efluentes; além de investimentos em infraestrutura de acesso à água potável, saneamento e higiene.

Também foram apresentados os conceitos Strategic Water Vision (SWV) e Operation Water Vision (OWV). O SWV integra informações como disponibilidade hídrica, qualidade da água, pegada hídrica, contexto territorial e uso e ocupação do solo, para responder aos possíveis riscos e estratégias essenciais para reduzi-los. Já o OWV mede parâmetros como o consumo de água e energia, clima, eventos extremos, entre outros, para entender como está a operação, se os riscos estão de fato sendo reduzidos e se as estratégias estão funcionando.

Virgínia enfatizou que a água é o novo carbono, que coloca o território no centro da resiliência, deixando de ser apenas um recurso operacional, ou seja, a abordagem sobre práticas e ações de sustentabilidade hídrica passam necessariamente por conectar a gestão das plantas fabris à gestão de recursos hídricos da bacia hidrográfica a qual aquela empresa está inserida.

A resiliência hídrica deixou de ser apenas uma agenda de sustentabilidade e passou a ser gestão de risco: protege a operação, fortalece a bacia e organiza a resposta das empresas diante da escassez e dos eventos extremos.

“O carbono colocou o clima no centro da estratégia e a água coloca a resiliência no centro das operações. Então nós precisamos entender que há uma relação direta hoje, 9 em cada 10 desastres associados ao carbono estão associados à água. Por isso é urgente conhecermos os riscos do território e nos planejarmos para realizar uma operação mais resiliente”, atenta Virgínia. 

Virgínia é CEO e Cofundadora da Valor da Água, a primeira climatech brasileira especializada em inteligência para segurança e resiliência hídrica, e líder de Comunicação e Relacionamento com Membros do Water Positive Think Thank (WPTT), iniciativa global dedicada à promoção de estratégias Water Positive. Possui mais de 26 anos de experiência em recursos hídricos, saneamento, sustentabilidade hídrica e adaptação às mudanças climáticas.

Ao final, cada empresa recebeu o certificado de “Empresa Comprometida com o Uso Sustentável da Água”, como forma de marcar a celebração dos 30 anos de participação do setor empresarial no Consórcio PCJ, que teve início em 1996, a partir do ingresso de 11 corporações na entidade. 

Atualmente, o Grupo das Empresas Associadas soma 27 companhias: Agrícola Monte Carmelo, Ajinomoto, AMBEV, ArcelorMittal, BRK Ambiental, CPFL, CPIC, CSJ, DAE Jundiaí, Ester Agroindustrial, Evonik, Fareva (Itupeva e Louveira), Coca-Cola FEMSA, Klabin, Miracema-Nuodex, Mirante, NIVEA, Orizon, Petrobras/REPLAN, Pirelli, Raízen – Usina Costa Pinto, Rhodia, Sabesp, Sanasa, Unilever e Ypê – Química Amparo.

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