Evento reuniu diversos atores do saneamento entre 26 e 29 de abril, no Rio de Janeiro (RJ), com o objetivo de discutir soluções para o setor
O Water Loss 2026, realizado entre 26 e 29 de abril no Rio de Janeiro (RJ), contou com a participação de mais de 800 pessoas de 60 países. O evento trouxe a necessidade do planejamento conjunto e o uso de novas tecnologias a favor do saneamento no combate às perdas hídricas. O Consórcio PCJ esteve presente com o objetivo de trazer as novidades e tendências para as Bacias PCJ através do Grupo Regional de Perdas Hídricas da entidade.
Na abertura do evento, o Diretor Executivo da Associação Internacional da Água, organização responsável pelo Water Loss, Kala Vairavamoorthy, afirmou que a água deve ser vista em sua totalidade – chuvas, captação, gestão de demanda, entre outros e que a Inteligência Artificial (IA) está mudando o cenário, permitindo a democratização de acesso a uma quantidade enorme de dados.
Apesar disso, Vairavamoorthy ressaltou um ponto como o principal durante o congresso: a tecnologia avançou demais, mas necessita de planejamento e capacitação para efetividade. No fim das contas, as decisões são humanas e devem ser estruturadas junto do uso da IA.
Um dos cases apresentados no evento, por exemplo, integra o sistema de modelagem hidráulica com a prática no cotidiano das pessoas. Chamado de chave inteligente para registro (Smart Valve Key), a inovação é resultado de uma parceria entre a Bélgica e a França que revolucionou a rapidez de análise de perdas.
Funciona da seguinte forma: quando o operador abre ou fecha um registro de manobra, a tecnologia acoplada junto ao mecanismo envia automaticamente ao servidor informações sobre o quanto aquele registro foi alterado, permitindo uma atualização em tempo real do sistema.
A setorização também foi tema importante no evento. O Doutor em Engenharia Hidráulica, Daniel Manzi, Diretor Técnico da EXAQUA Hidráulica e Saneamento, em Americana (SP), abordou os desafios do modelo, como as etapas de mapeamento dos sistemas, condições da rede em campo, testes de pressão e verificação dos setores.
A setorização divide a rede de abastecimento do município em distritos de medição e controle (DMCs), o que torna possível verificar a vazão e controlar a pressão, facilitando a identificação de problemas, como os vazamentos nas tubulações.
Para Manzi, a avaliação da pressão é um item primordial, por ser uma etapa essencial na calibração dos modelos e economicamente mais viável que a medição das vazões. “A informação de pressão é barata, acessível e dá uma visibilidade da operação mais ampla que apenas a telemetria dos reservatórios e elevatórias. Desde registrar de forma livre e gratuita as pressões medidas pelas equipes em campo até o uso de sensores e tecnologias mais avançadas, é um passo fundamental para se conhecer a dinâmica da rede de distribuição e seu comportamento”, destacou.
A fragmentação setorial (agricultura, energia, saneamento) potencializa a ocorrência de conflitos de interesses pelos usos múltiplos da água e acaba por expor o recurso a mais cenários de vulnerabilidade, exigindo ações articuladas para garantir disponibilidade hídrica sustentável.
Consórcio PCJ no combate às perdas hídricas
O Consórcio PCJ esteve presente no Water Loss, representado pelo coordenador do Programa de Saneamento e Resíduos, Aguinaldo Brito Júnior. “Participar do Water Loss 2026 foi uma oportunidade muito rica de aprendizado do estado da arte em termos de redução de perdas de água a nível mundial. Por um lado, ficou claro que a inteligência artificial veio para revolucionar totalmente o cenário, permitindo o monitoramento preciso de sistemas inteiros e até a previsão de vazamentos. Por outro, percebe-se que a defasagem da infraestrutura e a falta de capacitação da mão de obra são desafios globais, não apenas do Brasil”, atentou.
A entidade possui seu próprio Grupo Regional de Combate às Perdas Hídricas, com o objetivo de promover trocas de experiências entre os municípios e os serviços de abastecimento, tendo como meta reduzir o índice de perdas nas Bacias PCJ. De acordo com o Plano das Bacias PCJ 2020-2035, o intuito é reduzir as perdas, que atualmente estão em 35%, para uma média entre 23 e 26% até 2035.
Aguinaldo é responsável pelo Grupo, e afirma que as experiências adquiridas no Water Loss contribuirão muito para o planejamento dos próximos encontros, a fim de manter o Grupo sempre atualizado e capacitado.
Sobre o Water Loss
O Water Loss é o principal evento global dedicado aos desafios e soluções na gestão de perdas de água. A conferência é organizada sob a liderança do Water Loss Specialist Group (WLSG), um grupo especialista que pertence à Associação Internacional da Água (IWA). O WLSG possui um comitê de gestão com 29 membros de 21 países e alcança regularmente mais de 4.500 profissionais ativos trabalhando na redução e gestão de perdas de água em todos os continentes. O evento ocorre a cada dois anos, tendo como próximo destino Omã, país do Oriente Médio.