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Conselho do Consórcio PCJ recomenda atenção ao comportamento climático para possíveis instabilidades na disponibilidade hídrica em 2020

07 novembro 2019



Os membros do Conselho do Consórcio PCJ debateram durante Reunião Plenária, realizada na última quinta-feira, dia 7 de novembro, em Nova Odessa (SP), a situação preocupante das chuvas e vazões nos rios das Bacias PCJ em 2019, especialmente, nos últimos 3 meses. No ano, as precipitações estão 11,38% abaixo do esperado. A preocupação é com o abastecimento em municípios que não são atendidos pelo Sistema Cantareira e, portanto, não possuem essa reserva estratégica.

O coordenador de projetos do Consórcio PCJ, José Cézar Saad, apresentou na reunião que atualmente o volume útil do Sistema Cantareira é satisfatório, com o índice de armazenamento de 40,2% do volume útil, valor acima do que os reservatórios apresentavam na mesma data em 2018, que era de 34,25%. Porém, esse índice está sendo possível graças à transposição de água da bacia do Paraíba do Sul, feita a partir do reservatório de Igaratá para o do Atibainha do Sistema Cantareira. “Sem essa transposição, o volume útil do Sistema Cantareira hoje seria de 14%”, disse Saad.

O coordenador de projetos apontou ainda que a preocupação atual é com a vazão de afluência natural, ou seja, a quantidade de água que os rios formadores das represas do sistema levam ao reservatório, que no momento se encontra baixa. De acordo com ele, nos últimos três meses deste ano as precipitações registradas ocorreram na ordem de quase 70% abaixo da média histórica, além de terem sido rápidas e concentradas.

“Existe a necessidade de que ocorram precipitações para a melhoria deste quadro. A água da chuva ao penetrar no solo alimenta o aquífero e, consequentemente, mantém a vazão regular dos rios nos períodos mais secos. No entanto, chuvas intensas e rápidas, como as que tivemos no início dessa semana, não contribuem para isso, uma vez que a água não penetra no solo e vai diretamente para o rio”, afirma Saad.

O coordenador de projetos atentou, porém, que a previsão é de que nos próximos sete dias ocorram chuvas na bacia em torno de 50 mm, o que dará um fôlego aos municípios que captam apenas em rios e ribeirões e não possuem reservatórios municipais ou não estão na bacia que se servem da reserva de água do Sistema Cantareira.

O secretário executivo do Consórcio PCJ, Francisco Lahóz, lembrou que o comportamento climático atual se assemelha muito ao ocorrido em 2013, véspera da pior crise hídrica da história, que ocorreria nos dois anos seguintes, em 2014 e 2015. Ele atentou para que os municípios e empresas fiquem atentos às precipitações e às vazões dos rios das Bacias PCJ e se preparem para executar possíveis ações de contingenciamento que o Consórcio PCJ recomenda para situações de estresse hídrico, como: implantação de bacias de retenção em zonas rurais, piscinões ecológicos em áreas urbanas, implantação de sistemas de reservação de água de chuva, sensibilização da comunidade, entre outras medidas.

Lahóz informou que o Consórcio PCJ está preparado para auxiliar os municípios, sejam eles atendidos ou não pelo Sistema Cantareira, caso haja um cenário hídrico semelhante à 2014 na região. “Ao todo 42 municípios não são atendidos pelo Sistema Cantareira e alguns já estão enfrentando dificuldades de disponibilidade hídrica. As medidas que recomendamos no passado, dentre elas as 22 metas para a sustentabilidade hídrica futura, devem ser executadas ao menor sinal de uma nova seca severa. O Consórcio PCJ está pronto para auxiliar os associados, orientar a população e prestar serviço”, comentou o secretário executivo da entidade.

O presidente do Consórcio PCJ e prefeito de Nova Odessa, Benjamim Bill Vieira de Souza, lembrou que as medidas recomendadas pela entidade durante a crise hídrica de 2014 e 2015 foram realizadas na cidade, como o desassoreamento dos reservatórios municipais, ampliação da reserva de água e combate às perdas hídricas. “O auxílio do Consórcio PCJ foi fundamental para darmos prosseguimento às essas ações, que colocam Nova Odessa, hoje, num grau de maior segurança, caso venhamos a ser impactados por um novo evento climático extremo, por isso, é importante que todos estejam preparados”, relatou.

Visita a Usina de Compostagem na ETE Quilombo

Mais cedo, antes da Reunião Plenária do Consórcio PCJ, o Presidente da entidade recebeu prefeitos e representantes de municípios e órgãos do Governo Estadual para conhecer a Usina de compostagem de lodo da Estação de Tratamento de Esgoto – ETE Quilombo.

A usina de compostagem funciona num barracão de 1.250 metros quadrados, construído na área da ETE, onde são tratados, em média, 130 litros de efluentes por segundo e gerados aproximadamente nove toneladas de lodo por dia. A compostagem consiste na mistura do lodo de esgoto com restos de podas de árvores e substâncias químicas, como óxido de cálcio e calcário. O objetivo é que o material resultante desse processo seja utilizado como adubo e que a venda desse insumo pague a operação do sistema.


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