Sequestro de carbono e sua importância no combate às mudanças climáticas

Por Eduardo Paniguel Assistente de Projetos do Consórcio PCJ 

Em meio às crescentes preocupações sobre as mudanças climáticas que moldam o nosso cenário atual, com alterações no clima que afetam a produção agrícola, saúde, o meio ambiente e a disposição das chuvas com reflexos à disponibilidade hídrica, o sequestro de carbono pode ser uma interessante estratégia na busca por soluções ambientais para barrar o aumento da temperatura global e seus impactos ao planeta e à vida.

A água, anteriormente considerada pelo senso comum como abundantemente disponível, é um dos recursos naturais mais impactados pelas intervenções humanas no meio ambiente e, sobretudo, pelas mudanças climáticas.

A alteração no regime de chuvas, por exemplo, tem sido verificada ano após ano em diferentes regiões pelo Brasil e com comportamentos extremos: ora se chove absurdamente em curtos períodos, ora se atravessa por longos períodos de estiagem. A falta de um sistema mais robusto de armazenamento de água bruta e tratada, também, compromete mais a segurança hídrica de várias bacias hidrográficas.

Segundo a Agência Nacional de Águas e Saneamento (ANA), o Brasil possui 12 regiões hidrográficas (Amazônica, Atlântico Leste, Atlântico Sudeste, Atlântico Nordeste Ocidental, Atlântico Nordeste Oriental, Tocantins-Araguaia, Parnaíba, São Francisco, Atlântico Sul, Paraguai, Paraná e Uruguai), nas quais estão inseridas 5.353 bacias hidrográficas. Essas regiões enfrentam desafios para preservar a disponibilidade e a qualidade de seus recursos hídricos, lutando contra a escassez, desaparecimento de nascentes e rios, e a intensificação da poluição da água, agravadas pelo aumento da temperatura do planeta.

De acordo com dados compilados pelo MapBiomas, o Brasil apresentou uma retratação da superfície coberta por água de 15,7% desde o início dos anos 90, caindo de quase 20 milhões de hectares para 16,6 milhões de hectares em 2020, segundo estudo mais recente sobre o tema.

Paralelamente, nesse mesmo período as temperaturas médias do planeta foram aumentando até atingir recordes. A Organização Meteorológica Mundial (OMM) divulgou recentemente que o ano de 2023 apresentou a média global anual foi 1,45°C acima dos níveis pré-industriais, com margem de erro de mais ou menos 0,12°C. O valor se aproxima cada vez mais de 1,5°C, o marco limite do Acordo de Paris. Ainda segundo a OMM, o ano de 2024 pode ser ainda mais quente, acompanhado por enormes impactos socioeconômicos.

Some-se a isso os efeitos devastadores das emissões excessivas de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera, que tem sido tema de diversos congressos e encontros técnicos sobre o tema, de como limitar essas emissões para evitar o aumento da temperatura global. Nesse sentido, ações como o sequestro de carbono se tornam vitais para atendermos as metas do Pacto de Paris e, consequentemente, melhorar o equilíbrio do meio e seus reflexos à sustentabilidade hídrica.

O que é sequestro de carbono?

O gás carbônico desempenha um papel vital para a vida no planeta, porém, concentrações elevadas exercem impactos negativos no meio ambiente que estamos acostumados, colaborando para o fenômeno do aquecimento global.

O termo “sequestro de carbono”, apesar de ter se popularizado após o Protocolo de Kyoto, só ganhou mais força com o Acordo de Paris em 2015, que definiu diretrizes para a redução das emissões de dióxido de carbono a partir de 2020, com o propósito de fortalecer a resposta à ameaça das mudanças climáticas e aumentar a capacidade dos países para lidar com os impactos gerados por essas mudanças.

O sequestro de carbono é a atividade de absorver compostos gasosos de carbono da atmosfera, normalmente essa quantificação é feita comparando ao equivalente do gás carbônico (CO2). Um exemplo desse squestro é feito pelas plantas, algas e cianobactérias que capturam o CO2 da atmosfera e o transforma em compostos orgânicos por meio da fotossíntese, que é a reação entre o CO2 e a água (H2O). Essa reação é feita utilizando a energia proveniente do sol, resultando na produção de carboidratos (açúcares) e oxigênio, que é devolvido à atmosfera.

As áreas úmidas, como por exemplo lagoas, lagunas, manguezais, campos ou florestas alagadas, veredas, várzeas, reservatórios de água, turfas e Pantanal, representam uma solução natural diante das ameaças globais das mudanças climáticas, se destacando como os principais armazenadores de carbono do planeta.

Essas áreas conseguem capturar e armazenar o dobro da quantidade de carbono se comparados a todas as florestas do mundo juntas. Contudo, quando sujeitas à drenagem ou destruição, liberam consideráveis quantidades de carbono.

Como funciona os créditos de carbono?

O Protocolo de Kyoto e o Acordo de Paris estabeleceram objetivos para que todos revisassem os seus meios de produção e trabalho para reduzir as emissões de gases de efeito estufa. Sabendo da limitação que poderiam existir, foram criados mecanismos para que empresas e países que não conseguem diminuir ou zerar suas emissões aos níveis acordados possam compensar os seus balanços negativos com o saldo positivo de outras. Neste objetivo foram elaborados os créditos de carbono, uma alternativa para normalizar e facilitar as negociações entre as partes e possibilitar o incentivo financeiro para projetos com esse fim.

Um crédito é igual a uma tonelada de carbono de CO2 equivalente. Exemplo: o gás metano possui um poder de aquecimento de 56 vezes do gás carbônico, evitar 1 ton de carbono em metano equivale a 56 créditos.

Algumas certificações possuem limites de compensação de créditos, aquelas emissões que ainda não foram reduzidas e compensadas pela compra do saldo positivo de terceiros. A quantidade exata de créditos varia de cada empresa. De modo geral as empresas buscam o Net-zero até 2030 ou 2050. Os créditos da redução de emissão surgem da comparação do ano atual com o ano-base escolhido, cada empresa ou país tem o seu caminho a ser percorrido com metas parciais variadas.

O sequestro de carbono não é apenas uma estratégia técnica. Além de contribuir para a estabilização do clima, promover práticas sustentáveis e conservar ecossistemas naturais, também ajuda na proteção da biodiversidade e na manutenção do equilíbrio ecológico, sem contar que ao reduzir os impactos das mudanças climáticas você afeta diretamente o regime de chuvas, equilibrando as precipitações e melhorando a disponibilidade hídrica nas Bacias Hidrográficas.

Mais informações acesse o nosso site, em: www.agua.org.br.

*Eduardo Paniguel é engenheiro ambiental, mestre em ciência e engenharia ambiental

 

 

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