Projeto Olhos da Serra: Relação entre água e floresta é vital para o mundo

O projeto “Olhos da Serra”, que vai preservar a riqueza da biodiversidade da região da Serra do Japi, em Jundiaí (SP), terá um importante papel para garantir a conservação da disponibilidade hídrica. Afinal, cuidar da água e da floresta é cuidar da vida, como afirma o vice-presidente do Programa de Proteção aos Mananciais (PPM), do Consórcio PCJ e diretor de Mananciais do DAE de Jundiaí, Martim Ribeiro.

“A relação entre a água e a floresta é muito próxima, muito intrincada, muito íntima mesmo. A água da floresta é essencial para a vida como um todo, seja da fauna ou da flora, em todos os seus aspectos: reprodução, crescimento, desenvolvimento, como fonte de alimento. A água é vital para que uma floresta exista”, afirma. “Por outro lado, uma floresta nativa é muito importante para a geração de água, pela absorção das águas da chuva, pelo abastecimento dos lençóis freáticos através da infiltração pelas raízes, pela evaporação da água pelas plantas da floresta, o que permite a manutenção do ciclo hidrológico na floresta. A relação entre água e a floresta garante o ciclo da vida”, resume o vice-presidente do Consórcio PCJ.

Assim, conservar tanto a água quanto a floresta significa conservar a nossa própria vida. As árvores retêm o gás carbônico em seu organismo, que se transforma em casca, folha, tronco, ramo, e no oxigênio que beneficia todos os seres vivos. Suas folhas soltam compostos orgânicos voláteis, que quando entram em contato com o sol oxidam e formam minúsculas partículas logo acima das florestas, que mantêm a umidade relativa do ar. Esse ar em forma de gás acima da floresta se condensa, vira uma gota, e milhões de gotas formam as chuvas.

Quando chove, se essa água encontra uma superfície com folhas ou árvores, como na floresta, os pingos batem nas folhas, caem devagar, escorrem pelos ramos, pelo tronco, até chegarem ao solo. Essa superfície tem uma característica fundamental, que é o acúmulo de matéria orgânica, de folhas que vão caindo, formando uma camada grande, sendo recicladas por microrganismos, fazendo o solo ficar muito fofo e poroso, e essa água que escorreu lentamente se infiltra no solo, abastecendo a água subterrânea, formando os lençóis freáticos, que são fundamentais para abastecer as cidades nas estações de seca.

Para José Carlos Perdigão, engenheiro agrônomo especialista em Gerenciamento Ambiental pela ESALQ/USP (Escola de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo) e presidente da Associação de Proteção Ambiental Jaguatibaia, de Campinas, o primeiro aspecto a se considerar sobre uma árvore é que ela representa a possibilidade de convívio com a natureza para as pessoas que vivem nos núcleos urbanos. “A gente acaba vendo, na maioria das vezes, a natureza através de uma árvore bonita, com uma florada, de grande porte, um passarinho nela cantando… E a partir desse estímulo procuramos entender quais os benefícios que ela pode proporcionar para a gente como indivíduo e como sociedade”, observa.

Árvores ajudam a reduzir a temperatura ambiente, transformam o gás carbônico em oxigênio, e podem até mesmo ter um efeito positivo na redução da poluição sonora. Também são filtros naturais da poeira que, ao serem depositadas em suas folhas, não chegam às casas ou construções que estejam localizadas próximas a uma estrada de terra, por exemplo.

Por esse papel essencial à toda vida, a presidente da Associação Amigos do Japi, Hanah Traldi, afirma que “o Japi tem que invadir Jundiaí. Temos que conscientizar as pessoas da importância das árvores em nossas vidas, preservar a Serra do Japi e permear a cidade, para termos uma melhor qualidade de vida. O único ser em extinção é o ser humano, se não tratar o meio em que vive com dignidade e respeito”, conclui.

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