Projeto Olhos da Serra: Projeto beneficia área estratégica para a recarga hídrica e aumento na disponibilidade de água

Serra do Japi  é considerada imprescindível para a conservação da biodiversidade de fauna e flora

A área da Serra do Japi que será impactada pelo projeto “Olhos da Serra” é uma região de encontro de dois biomas diferentes, a Mata Atlântica e o Cerrado. Segundo explica Hanah Traldi, presidente da Associação dos Amigos dos Bairros de Santa Clara, Vargem Grande, Caguassu e Paiol Velho (Associação Amigos do Japi), essa convergência de ecossistemas promove uma riqueza com alta biodiversidade e espécies só existentes naquele local.

“Do ponto de vista geológico, temos características únicas pela formação de quartzo da estrutura das rochas, com presença de areia que impacta diretamente na seleção da vegetação da região. Há ainda imensa riqueza hídrica, com muitas nascentes e impacto direto em bacias estratégicas para o fornecimento de água”, detalha.

A região tem um relevo altamente acidentado com muitas encostas, cumes e vales, altitude considerável e dificuldade de acesso em muitas áreas. A pluviosidade é alta por conta da floresta que gera neblina e grande umidade, e a temperatura tende a ser mais baixa do que na área urbana. Há também grandes áreas preservadas, muitas ocupações, diversidade de usos e de estruturas.

A Serra do Japi é tombada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico (Condephaat) desde 1983, e possui legislação própria, definindo a área da Reserva Biológica (área de proteção integral) e a área de amortecimento (zoneamento), sendo gerida e conservada com apoio de um sistema de proteção ambiental que conta com o Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente de Jundiaí (Comdema), o Conselho de Gestão da Serra do Japi (CGSJ), a Prefeitura e a Fundação Serra do Japi. “Mas ainda dependemos muito da comunidade para acompanhamento e ações mais direcionadas às necessidades da região e da população residente”, destaca Hanah.

Dificuldades da área

Segundo a presidente da associação, um problema fundamental que afeta a qualidade do monitoramento e se torna um desafio para ações mais contundentes na região, como no caso de incêndios, é a dificuldade de acesso por conta do relevo. Essa questão também leva a riscos para os visitantes que adentram as matas em busca de lazer. Além disso, a diversidade de ocupações e usos aumenta a cada ano e gera alguns conflitos, principalmente quando há eventos e aumento do número de turistas e demais visitantes, que correm riscos e podem gerar impactos. “Resíduos são deixados e afetam os animais, os solos, as águas superficiais e podem contaminar os aquíferos. Perturbações sonoras afugentam e até causam a morte de algumas espécies de menor porte e pássaros. Há tráfego cada vez mais intenso com atropelamentos de fauna registrados, e reincidência de incêndios provocados por fogueiras, balões e afins”, enumera.

Por fim, Hanah comenta que ainda há outras dificuldades, como moradores que exigem da Prefeitura as facilidades da cidade, como asfalto (que causa poluição e dificulta drenagem de água) e iluminação nas vias, impactando o meio ambiente rural e ambiental, além da prática de atear fogo em lixo e folhas secas.

Importância hídrica

Todos esses desafios de conservação e preservação tornam o projeto “Olhos da Serra” de extrema importância para a área. De acordo com a presidente da Associação, essa é uma região imprescindível para a conservação da biodiversidade de fauna e flora e faz parte de um eixo de corredor ecológico, o que permite interação de territórios e manutenção de espécies.

Além disso, é de extrema importância para estabilização climática, reposição da qualidade e quantidade de água, estabilização de solos e encostas, além de ser um patrimônio natural, cultural e geológico. A Serra do Japi faz parte das bacias do Rio Jundiaí e do Tietê, e é uma área fundamental de recarga hídrica, já que sua mata permite maior infiltração da água das chuvas, abastecendo os aquíferos.

O vice-presidente do Programa de Proteção aos Mananciais (PPM) do Consórcio PCJ e diretor de Mananciais da DAE de Jundiaí, Martim Ribeiro, lembra que a Serra do Japi chegou a ser batizada por estudiosos e geólogos de “Castelo das Águas”, justamente pela riqueza de seus mananciais e pelo aporte hídrico que possui. “Esse projeto é muito importante sobretudo para auxiliar na preservação, manutenção e fiscalização desses importantes recursos hídricos”, observa.

De acordo com Martim, já existem alguns estudos em andamento mostrando quais são os potenciais mananciais na Serra do Japi para o abastecimento de Jundiaí. Além disso, ele destaca que esses recursos hídricos também tem um contexto ecológico do próprio ciclo de vida da Serra, pois toda sua fauna e flora são dependentes deles. “É vital a manutenção e preservação dos recursos como potenciais fontes de abastecimento para o município de Jundiaí, num futuro próximo”, finaliza.

Foto de Capa: Rodrigo Palladino

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