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O quadrado mágico do Saneamento em Israel: planejamento, perdas hídricas baixas, reuso e recarga do lençol freático

15 outubro 2015



Mekorot é a empresa de abastecimento de Israel, possui 76 anos de atuação e está entre as 10 maiores empresas de água do mundo. Os números da companhia israelense revelam como a eficiente gestão desses quatro pilares: planejamento, perdas hídricas nas redes, reuso de água das estações de tratamento de esgoto, somados a um ambicioso projeto de recarga do lençol freático, garantem sustentabilidade hídrica para o desenvolvimento nacional.
A comitiva do Consórcio PCJ foi recebida nos dias 11 e 12 de outubro, por um dos diretores de Mekorot, Diego Berger, na sede da empresa, em Tel Aviv. A companhia possui 12 mil km de tubulações que levam água a 7 milhões de usuários. As perdas hídricas em grandes redes não passam de 3%, sendo que a média para todas as áreas urbanas de Israel são de no máximo 11%, bem abaixo do índice preconizado pela Organizações das Nações Unidas (ONU), que é de 20%.

Mekorot possui um eficiente sistema de aquedutos que levam água do norte de Israel, onde ocorrem mais chuvas, para o sul do país, predominantemente desértico, mas com forte atividade agrícola.

Tudo começa,  com a captação de água no mar da Galiléia, que é levado até o reservatório de Eshkol, ao norte do país. Lá, a água passará por um tratamento dividido em quatro etapas, sendo que nas duas primeiras ocorre um tratamento biológico feito com peixes vivos, que comem plâncton presente na água, fezes de outros peixes, algas, ocasionando, assim, a diminuição de carga para tratamento e filtragem. Na terceira etapa, é feita a filtragem por pedras anthracite e a floculação é feita no tanque de peixes, encarregados de “comer” a sujeira, e na última fase, a água tratada é armazenada num reservatório coberto por uma manta que impede a evaporação da água.

Está em estudo pela empresa a substituição dessa manta, que custa US$ 24,00 o metro quadrado, por bolas brancas, mais baratas e que diminuem a evaporação em torno de 40%. Elas possibilitam que a qualidade de água seja homogêneas durante todo ano. O objetivo é diminuir as perdas por qualidade de água.

Os filtros utilizadas no tratamento  são limpos por retrolavagem com ar e água, sendo que parte desse líquido é tratado novamente e volta para o reservatório, o que permite que nesse processo não se perca mais do que 0,1% de água. Os israelenses buscam a todo custo reduzir qualquer possibilidade de consumo desnecessário e perda hídrica.

O reservatório de Eshkol possui uma sala de controle automatizada para gerenciar o aqueduto de 135 km de extensão que leva a água para ao sul de Israel. Originalmente concebido para abastecer a área agrícola nas regiões desérticas ao sul, hoje, esse sistema também é utilizado para o abastecimento de áreas urbanas, além de ser alimentado com a água das usinas de dessalinização. Para se ter ideia de quão importante esse sistema é para o país, antes de sua construção, a água da Galiléia levava 7 dias para chegar a Tel Aviv. Hoje, com o sistema interligado, esse mesmo percurso é feito em 3h.

Mekorot abastece 70% de Israel. O consumo da população está na casa dos 100 m3 por habitante/ano. A companhia vende a água às prefeituras e estas, por sua vez, é quem revenderão a água ao consumidor final. A tarifa para a população de Tel Aviv é de 5,25 shekels por metro cúbico por pessoa na casa. Dessa tarifa 2/3 é para água e 1/3 para esgoto. Sendo que esse valor são para consumos de até 9 m3 por mês. Acima disso, a tarifa de água vai aumentando de acordo com faixas de consumos.

O que chama atenção em relação à postura empresarial da companhia, é o seu apego ao planejamento e aprimoramento técnico. Um exemplo disso, é a questão de elaboração de projetos  pilotos ao lado das estações de tratamento de água e esgoto, com a finalidade de melhorar a gestão desses empreendimentos. “O que nos diferencia, é que além de querermos construir e operar a planta,  também queremos otimizá-la. Nós não podemos saber como o projeto vai se comportar antes de estar pronto”, disse o diretor de Mekorot, Diego Berger, aos participantes da comitiva do Consórcio PCJ, na sede da companhia em Tel Aviv.

Mekorot ainda se destaca pelos investimentos em tratamento de efluentes e reuso da água.  No total, existem 13 Estações de Tratamento de Esgoto (ETE) em Israel. A comitiva do Consórcio PCJ visitou na segunda-feira, dia 12, a planta Shafdan, ao sul de Tel Aviv, considerada a maior de Israel. São tratados 300 mil metros cúbicos de esgoto por dia, que após tratados, serão distribuídos por meio de uma rede específica e independente para reuso na agricultura. “A qualidade do efluente tratado é superior a muitos pontos de captação de água natural em vários países do mundo, comentou o engenheiro chefe de Mekorot, Carlos Percia.

A implantação da rede de distribuição da água de reuso à agricultura começou a ser realizada em 1989 e hoje somam 100 km de extensão. Ao todo, Israel faz reuso de 85% da água resultante do tratamento de esgoto. A meta é ampliar esse número para 95%, para isso Mekorot tem investido muito em novas tecnologias,  como filtros aprimorados de membranas e infiltração de água nos aquíferos. Até o ano de 2004, 80% da água potável de Israel ia para a agricultura, mas hoje esse número caiu para 55%, graças ao reuso.

Shafdan possui um avançado sistema de tratamento de esgoto, chegando até o tratamento quartenário, o que garante uma qualidade impressionante à água após o tratamento. A conclusão desse processo ocorre com a infiltração do líquido resultante do tratamento no lençol no aquífero abaixo da planta da estação, a 120 m de profundidade, onde ocorrem novamente a filtração e oxidação, garantindo qualidade à agua. A turbidez máxima do esgoto tratado é de 0,5.

Atualmente, o lodo resultante desse processo é lançado no mar, mas estudos estão avançados para que esse resíduo seja utilizado como fertilizante na agricultura.

Mekorot, também, investe na recuperação das águas subterrâneas, alimentando os aquíferos e o lençol freático com água dessalinizada. No inverno, entre os meses de outubro a março, é quando ocorrem as chuvas em Israel. Nesse período, se a produção de água está acima da média de consumo, eles aproveitam essa água e a injetam no lençol freático, a fim de armazena-lá para o período de seca, ou seja, após março. Nenhuma gota de água é desperdiçada e não armazenada.

Israel está a 7 anos em seca, e nesse tempo todo a população não foi penalizadas com falta de água. “Não tem crise hídrica, esse fenômeno climático extremo será o normal a partir de agora e temos de nos preparar para essa nova realidade”, atentou um dos diretores, Diego Berger.

 

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