Bacias PCJ

Localização

baciapcj

 

 

CARACT. GEOPOLÍTICAS

A região das bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí abrange áreas de 76 municípios dos quais 62 têm sede nas áreas de drenagem da região. Desses, 58 estão no Estado de São Paulo e 4 em Minas Gerais. Dos municípios que têm território na região PCJ e sede em outras bacias, 13 estão em São Paulo e 1 em Minas Gerais.

Com aproximadamente 5 milhões de habitantes, a região é considerada uma das mais importantes do Brasil devido ao seu desenvolvimento econômico, que representa cerca de 7% do Produto Interno Bruto (PIB) Nacional. As taxas geométricas de crescimento previstas para as populações urbanas da região, são decrescentes, passando de 2,09% a.a., no período 2000/2005, para 1,19% a.a., no período 2015/2020.

O grau de urbanização da população será crescente, passando de 93,2%, em 1996, para 96,8%, no ano 2020. A sub-bacia do Rio Camanducaia é, na região, a que tende ao menor grau de urbanização no período considerado, passando de 73,4%, em 1996, para 84,0%, em 2020, respectivamente.

Em posição oposta, encontra-se a região da bacia do rio Jundiaí, onde deverá ocorrer o maior grau de urbanização de toda a região PCJ, passando 95,6%, em 1996, para 98,8%, em 2020. Os municípios do Estado de São Paulo com sede na região pertencem a Região Administrativa de Campinas, que incorpora também municípios situados na bacia do Alto Mogi-Guaçu.

Nas bacias PCJ encontram-se cinco Regiões de Governo do Estado de São Paulo: RG Campinas, RG Jundiaí, RG Piracicaba, RG Limeira e RG Bragança Paulista, as quais constituem níveis de gestão político-administrativa intermediários entre a Região Administrativa e os municípios. A região geoeconômica da média região PCJ concentra uma das redes de infra-estrutura de transportes mais importantes do País. Nela destacam-se um denso complexo viário (que tem nas rodovias Anhangüera, Bandeirantes e D. Pedro I sua espinha dorsal), a linha tronco da FERROBAN e o aeroporto de Viracopos, no município de Campinas, o maior em volume de transportes de carga no País.

Toda essa infra-estrutura de transportes, ao mesmo tempo que se comporta como suporte do desenvolvimento econômico da região, estimula a urbanização da área, onde já se verificam fortes tendências à conurbação de cidades. Essas tendências aliadas à importância geoeconômica da região levaram ao processo, ora em andamento, de criação da Região Metropolitana de Campinas, que integrará 18 municípios da área: Americana, Artur Nogueira, Campinas, Cosmópolis, Holambra, Hortolândia, Itatiba, Indaiatuba, Jaguariúna, Monte Mor, Nova Odessa, Paulínia, Pedreira, Santa Bárbara d’Oeste, Santo Antônio da Posse, Sumaré, Valinhos e Vinhedo.

Fonte: Plano de Bacias PCJ 2004-2007

 

CARACTERÍSTICAS FÍSICAS

A região das bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí apresenta quatro grandes domínios quanto aos aspectos geológicos: o embasamento cristalino, as rochas sedimentares, as rochas efusivas e as coberturas sedimentares.

Embasamento cristalino, constituído por rochas metamórficas e graníticas, ocorre principalmente na porção leste da bacia.

As rochas sedimentares mesozóicas e paleozóicas, integrantes do segundo domínio geológico, ocorrem em grandes extensões ao longo de uma faixa norte/sul que acompanha as rochas do embasamento, na região de Piracicaba.

As rochas efusivas, que aparecem sob a forma de derrames basálticos, são observadas em grande parte dos municípios, mais intensamente em Paulínia, Sumaré e Hortolândia.

As coberturas sedimentares, integrantes do quarto domínio, compreendem os depósitos aluvionares e coluvionares dos cursos de água e os solos residuais resultantes de desintegração de rochas. Quanto à geomorfologia, a área pode ser caracterizada por três zonas: Planalto Atlântico, Depressão Periférica e Cuestas Basálticas.

O Planalto Atlântico, encontrado na parte leste caracterizada pelo embasamento cristalino, é constituído por relevo montanhoso, com morros, alcançando altitudes superiores a 1.200m, e vales, chegando a cotas altimétricas entre 750 e 850m.

A Depressão Periférica, que apresenta topografia colinosa, localiza-se em uma faixa de aproximadamente 50 km na parte central da região.

As Cuestas Basálticas, constituídas por relevo escarpado desenvolvido sobre rochas basálticas, encontram-se na parte nordeste das bacias PCJ.

Os principais cursos de água da área apresentam, basicamente, escoamentos no sentido leste/oeste.

A bacia do rio Piracicaba possui um desnível topográfico acentuado, chegando a 1.400m ao longo de uma extensão de 250 km – ou desde suas cabeceiras na serra da Mantiqueira, quando alcança uma altitude média de 1900 m, até sua foz, no rio Tietê.

O desnível topográfico da bacia do Capivari é bem menor, não ultrapassando 250 m em um percurso de 180 km, desde as suas nascentes na Serra do Jardim, com altitude de 750 m.

Na bacia do rio Jundiaí, o desnível também é pequeno, porém um pouco maior do que o anterior: da ordem de 500 m, em uma distância de 125 km que se estende desde as suas nascentes a 1.000 m de altitude na Serra da Pedra Vermelha, em Mairiporã, até sua confluência com o rio Tietê, no Município de Salto.

Fonte: Plano de Bacias PCJ 2004-2007

 

CARACTERÍSTICAS CLIMÁTICAS

O clima na região sofre influência das massas de ares atlânticas polares e tropicais, provocando diferenças regionais dadas pela distância em relação ao mar e por fatores topoclimáticos, como as serras do Japi e de São Pedro.Em toda a região predominam os ventos do sul. De modo geral, o clima é do tipo quente, temperado e chuvoso, apresentando três faixas de ocorrências, classificadas segundo a divisão internacional de Köeppen em:

– sub-tipo Cfb – sem estação seca e com verões tépidos, nas porções baixas das bacias;
– sub-tipo Cfa – sem estação seca e com verões quentes, nas partes médias das bacias;
– sub-tipo Cwa – com inverno seco e verões quentes, nas porções serranas, das cabeceiras.

O período chuvoso ocorre entre os meses de outubro e abril, e o de estiagem, entre maio e setembro. Os índices de precipitação pluviométrica, na média, variam entre 1.200 e 1.800 mm anuais.
Entretanto nos trechos das cabeceiras dos cursos formadores do rio Piracicaba, na região da Mantiqueira, à leste de Bragança Paulista, ocorrem as maiores precipitações pluviométricas, cujos índices superam os 2.000 mm anuais. Esses índices caem para 1.400 e 1.200 mm, nos cursos médios e baixos, respectivamente.
Na região mais a oeste, a temperatura aumenta e a precipitação diminui, ficando a média próxima de 1.300 mm. As chuvas convectivas são favorecidas pela presença da Serra de São Pedro, que facilita a formação de cúmulos-nimbos.

A bacia apresenta 102 estações de medição pluviométrica, das quais 73 estão em operação, e as demais extintas. Setenta estações pertence ao Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) do Estado de São Paulo, seis são da Agência Nacional de Águas (ANA), dez tem a Companhia de Energia do Estado de São Paulo  (CESP) e 16 a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). Estas estações apresentam séries históricas com períodos de 15 a 60 anos de observação, porém somente partes destas séries tem seus dados consistidos. Os dados das precipitações médias mensais indicam que os meses menos chuvosos são julho e agosto (médias entre 25 e 40 mm), e que as maiores precipitações ocorrem em dezembro e janeiro (médias entre 190 e 270 mm).

Quanto à fluviometria, verifica-se que, embora existam na região 60 estações, apenas 46 encontram-se em operação, sendo 9 pertencentes à ANA, 19 ao DAEE, 19 à SABESP, 6 à CPFL e 7 à CESP. Na bacia do rio Capivari não existe nenhum posto em operação. Os valores extremos observados para as vazões médias mensais máximas e mínimas para as sub-bacias são:

 

DISPONIBILIDADE HÍDRICA

Águas de Superfície

O potencial de recursos hídricos superficiais das bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí não está, em sua totalidade, à disposição para uso na própria região, pois uma parcela substancial é revertida, através do Sistema Cantareira, para a bacia do Alto Tietê. Esse sistema é o principal produtor de água potável da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), sendo responsável pelo abastecimento de aproximadamente 50% de sua população.Na área das bacias, o Sistema Cantareira conta com reservatórios de regularizações nos rios Atibainha e Cachoeira, na sub-bacia do rio Atibaia, e nos rios Jacareí/Jaguari, na sub-bacia do rio Jaguari.

De acordo com a outorga de direito de uso do sistema, esses reservatórios garantem uma retirada média de até 36 mil litros de água por segundo, sendo 31 mil litros de água por segundo para a RMSP e a descarga para jusante da vazão de 5 mil litros de água por segundo. A retirada desses volumes é decidida mês a mês pelo Grupo Técnico Cantareira, instituído no âmbito da Câmara Técnica de Monitoramento Hidrológico (CT-MH) dos Comitês das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí, com base nas orientações da ANA e do DAEE sobre as possibilidades de retirada sem o comprometimento do sistema.

Além das reversões para a RMSP, ocorrem também, na área, exportações internas. São os casos:

– do rio Atibaia para o rio Jundiaí Mirim (bacia do rio Jundiaí), para abastecimento do município de Jundiaí;
– da sub-bacia de Atibaia para as bacias do Capivari e Piracicaba, através do sistema de abastecimento de água de Campinas;
– da sub-bacia do Jaguari para as sub-bacias dos rios Atibaia e Piracicaba.

Desse modo, as disponibilidades hídricas superficiais das sub-bacias da região PCJ são resultantes das seguintes parcelas:

– Vazões naturais correspondentes às contribuições dos trechos das respectivas sub-bacias, a jusante dos reservatórios do Sistema Cantareira; (Qn)
– Vazões descarregadas pelo Sistema Cantareira nos rios Jaguari; (Qd)
– Vazões regularizadas; (Qr)
– Vazões provenientes de importações; (Qi)
– Vazões exportadas. (Qe)

 

USO DA ÁGUA

Águas superficiais

De acordo com o Relatório de Situação dos Recursos Hídricos das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí 2002/2003, a demanda de água para uso urbano na região das bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí é de 17,3 mil litros de água por segundo. Para uso industrial o volume é de 14,5 mil litros de água por segundo e para uso rural, 9,1 mil litros de água por segundo. Além disso, da região são revertidos cerca de 31 mil litros de água por segundo para abastecimento de 50% da Região Metropolitana de São Paulo, cerca de 9 milhões de pessoas. Os recursos hídricos superficiais recebem uma carga poluidora de cerca de 157 tDBO/dia de esgotos domésticos e 83 tDBO/dia de efluentes industriais. Veja abaixo tabela com números sobre usos de água superficial na região PCJ.

Águas subterrâneas

Na região PCJ, as águas subterrâneas têm sido utilizadas para o auto abastecimento doméstico, consumo industrial e manancial complementar para o abastecimento público. Estima-se que atualmente a exploração deste manancial seja feita por aproximadamente 5.000 poços, com uma produção total da ordem de 127 milhões de metros cúbico por ano, o que representa uma produtividade média de 3,0 mil litros de água por hora por poço e uma exploração de somente 16% do potencial dos mananciais subterrâneos. Essa pequena explotação é devida a baixa produtividade dos poços da região, fato que limita o uso mais intensivo deste manancial, principalmente em sistemas de abastecimentos de água.

Fontes: Plano de Bacias PCJ 2004-2007 e Relatório de Situação 2002-2003